O longo caminho do teatro na educação


Alessandra Mourão

TeatroO objetivo do teatro na educação não é somente a formação de público, mas ele pode sim contribuir para uma plateia crítica, que interprete os signos de um espetáculo, buscando o estabelecimento de novas relações. Mas para isso acontecer deve ser feito um trabalho antes e outro depois da ida ao teatro ou da apresentação na escola. Com a familiaridade com os códigos teatrais os alunos terão conhecimento da linguagem cênica e maior abertura para assistir e debater uma peça.

O teatro na escola visa o desenvolvimento de todas as potencialidades do educando, contribuindo para a sua formação integral e preparando-o para o mundo que o cerca.

Infelizmente ainda vemos o teatro como mera representação de peças em datas comemorativas, onde o aluno repete um texto pronto e totalmente decorado, não havendo autonomia no fazer e nem espontaneidade nos seus gestos. Essa prática visa o resultado final e não o processo em si, dando ênfase ao exibicionismo e promovendo constrangimentos nas crianças mais envergonhadas.

Em algumas instituições há a formação de grupos que, segundo os professores, são compostos de alunos que têm talento ou levam mais jeito, excluindo os demais de uma participação efetiva.

Falta ao professor brasileiro tempo, ânimo e apoio para se aprofundar, debater e pesquisar, o que acarretaria uma maior estruturação dos fundamentos teórico-metodológicos. Um dos grandes desafios seria: como motivar um profissional para estudo e atualização quando ele trabalha o dia todo com turmas de em média 45 alunos? Por outro lado é necessário fazer com que os profissionais de outras disciplinas percebam a importância do teatro para o desenvolvimento global do educando.

O teatro nas escolas brasileiras ainda tem um longo caminho a percorrer, mas não é por isso que não daremos algumas engatinhadas, caindo e levantando, mas, tentando e aprendendo junto com os alunos.

“A falta de exercícios de expressão espontânea nas crianças vai tornando-as máquinas de repetir conceitos, pobres robôs, cópias mal feitas de adultos ressequidos, porta- vozes do que se ouve todos os dias nos programas de televisão, anúncios ambulantes de produtos comerciais, imitadores de heróis mal representados, mal idealizados, veículos puros de uma agressividade mal dirigida e mal controlada.”( Maria Clara Machado)

Paty Fonte

Alessandra Mourão

Educadora, Graduada em Pedagogia, Pós Graduada em Artes Cênicas, palestrante, atriz, contadora de histórias.

Contatos no blog: http://www.criandartes.blogspot.com/

 

 

 

 

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