Projeto Desabrochar


Fatima Dotta

"A essência da arte do professor reside em decidir que ajuda é necessária em uma determinada circunstância e como é que esta pode ser oferecida. Torna-se claro que, para tal, não há uma fórmula definida. Mas talvez algo de útil possa ser dito sobre as formas de ajudas que poderão ter mais valor."
( Margareth Donaldson -  Children's Minds )

Considero a metodologia de trabalho por projetos como "uma forma de ajuda" de maior valor na educação. Considero ainda que essa metodologia, pode aplicar-se a qualquer grau de ensino, do infantil ao universitário.

Fundamento a metodologia de trabalho de projeto em uma perspectiva sócioconstrutivista, como mais um instrumento da educação. Uma experiência coletiva, cooperativa, em que um elemento do grupo, no contexto da arte de ensinar pode ir mais longe porque é sustentado pelos outros elementos desse mesmo grupo, já que o projeto é uma forma grupal de estudar.

Tratando-se de uma metodologia centrada em problemas, o trabalho de projeto coloca-se na "zona de desenvolvimento proximal" (VYGOTSKY) da criança, convidando-a a trabalhar acima e adiante das suas possibilidades, tornando-se eficaz andaime para o seu desenvolvimento.

Este projeto pretende ser, com suas peculiaridades uma excelente contribuição para a pedagogia da infância no Brasil, um recurso que deverá ser usado em todos os cursos de formação inicial e, também em projetos de formação continuada de professores em educação, que temos a oportunidade e saibamos aproveitar o imenso saber e originalidade para, cada vez mais, podermos elaborar em nós essa "arte" e "essência" de saber ser educador.

Devo ressaltar que este é um projeto totalmente diferenciado, mesmo percorrendo todo o processo do projeto tradicional mas com diferentes nuances que demonstram a possibilidade de diversas criações que pretendam o evidente, saber, encarado como uma formula que amadurece o aluno, ativo, cheio de capacidades, criando um sentido para a sua existência, capaz de posturas de cidadania.

O projeto - Desabrochar - se preocupa com as perspectivas mais avançadas de inovação e  experimentação pedagógica. Aponta para o professor como co-criador de formulas para se chegar ao saber cultural com seus educandos amadurecidos também no que se refere à disciplina comportamental.

Os protagonistas são os alunos que atuam de maneira mais livre, questionando, compreendendo através  de instrumentos diferenciados e inovadores.
No "Desabrochar", primeiro reflito sobre o bem e o mal, numa balança imaginária que coloca como dois pesos iguais o bem e o mal. Mas admitindo que um, vá pesar mais, de acordo com as ações e atitudes dos protagonistas.

Este projeto usa como intrumentais a brincadeira de "amigo secreto", prática que permeia todo o processo; a correspondência de cartinhas maravilhosas, brilhantes, coloridas, lúdicas, que tanto fascinam a todos, inseridos nestas existe a possibilidade de muitos atos, exemplos que levam-nos a uma fundamental importância, o despertar de valores há muito adormecidos. Tem também a função de ao longo do processo ser um confidente, um diário, uma troca que pretende ser mais aberta pois a(o) aluno(a) estarão, como numa brincadeira tendo como único e só seu um amigo imaginário.

Os instrumentos vão surgindo de acordo com o que for necessário e sem deixar o objetivo perder-se e, para tanto, deixo claro que o título deste é desabrochar no caminho de descobertas benéficas para ações que levem a ver o quanto é necessário rompermos com as tradicionais práticas para avaliar quando nos propomos a trabalhar com projetos.
No início são escolhidos pelos professores a meu pedido os alunos mais problemáticos entre todos, que terão a liberdade para deixar-se serem educados tanto na educação "social"- convivência, como na educação formal, também buscamos a bagagem que os alunos trarão de alguma educação doméstica. Nos seguimentos e nas contínuas avaliações perceberemos a maturidade ( ou não ) de cada um. 

É meu costume - e acredito de muitos outros educadores - a necessidade de registrar todo este projeto num portifólio com características lúdicas e portanto encantadoras, pois quando falamos em documentar, não estamos nos referindo àquela documentação que envolve a idéia de conservar e utilizar os resultados finais do projeto mas sim o compreender melhor as crianças, deixando nas instrumentais cartinhas a subliminar e sutil necessidade de uma postura adequada ao ambiente acadêmico.

Em tempo, o momento é ideal para fechar a reflexão com a seguinte afirmação que vive saltitante em meu cérebro: os alunos são provocadores no momento em que nos convidam a experimentar. Aprendemos com eles a não ter medo, ressaltar a arte que existe dentro de cada um , nada mais é do que é a criatividade, as possibilidades, pois estão sempre nos "dizendo" algo que perdemos, que nos leva ao atraente e sedutor, algo que reconhecemos e que não podemos explicar, tudo é muito maior. Para as crianças existe uma conexão direta entre o criar o saber e o viver e no momento em que tolhemos esta abertura, perdemos qualquer tentativa de resgatar algum valor.

 

Profª Fatima Dotta Pedagoga especialista em Pedagogia de Projetos.
Para saber mais acesse: http://fdotta.zip.net/index.html

 

 

 

 

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