Mulher na Educação


Selma Inês Campbell

A visão distorcida, que pressupunha uma condição de inferioridade da mulher, acabou desvalorizando a Educação

O papel da mulher na Educação não pode ser desvinculado nem do processo histórico, nem do movimento de luta pelos seus direitos. Veremos que não é por acaso que ela ocupa posição de predominância na Educação, especialmente na Básica.

Até a década de 1970 a mulher vivia sob a custódia do pai e transferida ao marido pelo casamento. A Educação para a mulher dependia da conjugação de diversos fatores, que podemos chamar de ‘sorte’: nascer numa família com recursos; não ter que competir com irmãos e obter consentimento do pai para estudar — o que geralmente era visto como coisa desnecessária, meio de escrever cartas para o namorado ou justificativa para se furtar às suas tarefas em casa, sendo suficiente saber ler uma receita culinária ou anotar medidas para cerzir.

Posteriormente, teria de esperar que o marido não a impedisse de exercer uma profissão, na qual a mais aceita, julgada ‘própria’ para a mulher, era justamente a de professora. Entendia-se como ligada ao instinto maternal e à função atribuída à mulher de educar os filhos. Raras eram as mulheres que atingiam o nível universitário.

No âmbito profissional, as atividades femininas se restringiam às fábricas, às atividades de culinária, corte e costura, beleza e emprego doméstico (aos quais não eram atribuídas prerrogativas trabalhistas), limitando os direitos civis e subordinando à vontade do marido, numa incontestável discriminação.

A visão distorcida, que pressupunha uma condição de inferioridade da mulher, acabou por ensejar a desvalorização da profissão de educador, passando então a ser encarada como atividade de quem não tem grandes talentos intelectuais. Obviamente, esta ideia já não é mais aceita, e a mulher é vista como tão capaz, jurídica e intelectualmente, quanto o homem.

Diante dos fatos assinalados, não é surpresa o papel predominante da mulher na Educação, profissão de baixo prestígio social e baixa remuneração. O cenário vem mudando lentamente. Agora, o que leva à escolha da profissão de educador é a procura de realização pessoal e profissional. O esforço não é vão. A recompensa se traduz no reconhecimento do valor da mulher dentro da sociedade brasileira.

 

Selma

 Selma Inês Campbell - Graduada em Economia pela UFRJ, Especialista em Docência do Ensino Superior pela Universidade Cândido Mendes, Habilitada ao Magistério Séries Iniciais do Ensino Fundamental, Tutora Online - Curso de Redação de Textos Acadêmicos pela CECIERJ ,Curso de Qualificação de Professores na Área de Deficiência Visual pelo Instituto Benjamin Constant, Licenciada em Letras Português/Literaturas pela UFF. Escritora e palestrante.

Contato: selmacampbell@hotmail.com

 

 

 

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