Jogos Teatrais


Alessandra Mourão

Prof. Alessandra Mourão apresentou a palestra " Teatro na Educação" no
4º Encontro Nacional de Educadores promovido pelo site Projetos Pedagógicos Dinâmicos.

 

Jogos teatraisSegundo Japiassu (1998), os jogos teatrais são procedimentos lúdicos com regras explícitas, onde o grupo se divide em “times” que se alternam nas funções de jogadores e de público.

Reverbel (2006) divide os jogos teatrais em atividades de relacionamento, espontaneidade, imaginação, observação e percepção. Segundo ela as atividades de relacionamento devem ser as primeiras a serem feitas com um grupo que inicia, incentivando a socialização e promovendo um processo de descontração.

Quando o aluno comporta-se de forma espontânea e natural, sem medo de errar, ele se aceita, favorecendo o desenvolvimento de suas capacidades expressivas, como a fala, a locomoção, o ritmo, a expressão gestual.

Para Reverbel (2006, p.80) a imaginação é: “produto de uma ação do pensamento, que pode ser representado através das linguagens corporal, verbal, gestual, gráfica, musical e plástica.” A imaginação desenvolve-se a partir do conhecimento. Quanto mais a criança vivenciar coisas novas, como passeios, visitas, festas, mais rica será a sua imaginação, porque quando imaginamos, recorremos primeiro à memória.

A criança inicialmente observa, para depois criar. Isso deve ser constantemente estimulado pelo educador, pois elimina suposições sobre situações ainda não vivenciadas, permite fazer comparações e estabelece um rico contato com o mundo exterior, ampliando a visão do mesmo. Quanto mais nova a criança, mais condições o professor deve dar para que ela observe antes de começar o jogo teatral. Dependendo do tipo de observação, o relato do acontecimento muda, possibilitando às crianças fazerem comparações.

A percepção está ligada aos sentidos, dependemos dela para ter uma vida normal. Ainda segundo Reverbel (2006, p.130): “Quando o indivíduo percebe, ele incorpora esse conhecimento, e essa é uma experiência única, pois depende do estágio de desenvolvimento da inteligência em que o indivíduo se encontra e de sua vivência.”

Através de uma cena cotidiana há uma problematização, onde se buscam soluções através de ações, chegando a uma resposta com base na própria vivência, havendo um envolvimento maior e até recriando os seus próprios conceitos. Não existe um modo certo de resolver um problema, grupos diferentes acham soluções diferentes. A tensão do jogo e a concentração nos objetivos, fazem com que o aluno deixe de prestar atenção em si e de se auto-criticar, esquecendo de representar e deixando a espontaneidade fluir. O aluno começa a refletir sobre seu papel na sociedade e a relação existente entre as pessoas. Os jogos teatrais desenvolvem a unidade do grupo, estimula a liberdade de ação e de constantes questionamentos, encoraja a experimentação.

Sugestões de Atividades

Objetivo: Ampliar as possibilidades de expressão.

Atividades:

  • Falar o seu nome cantando.
  • Falar o seu nome cantando e batendo palmas.
  • Caminhar, livremente, e ao ouvir o nome de um animal, imitá-lo. Primeiramente só com movimentos corporais e depois introduzindo o som característico.
  • Caminhar, livremente, e quando a música parar, fazer a estátua do animal falado pelo professor.
  • Imitar o andar de um animal no ritmo de palmas ou batidas de um tambor.
  • Em roda, passar um fantoche e, cada um, deve criar uma voz para ele. Variar os tipos de fantoches (homem, mulher, lobo, idoso).
  • Em roda, passar um objeto e quem estiver com ele nas mãos deve contar uma parte da história.

Objetivo: Desenvolver a atenção e a concentração.

Atividades:

  • Um aluno faz uma pose e o grupo observa e tenta imitar.
  • Um grupo de 5 ou 6 alunos monta uma cena (festa de aniversário, partida de futebol, etc). Pode-se usar ou não objetos. Após a cena pronta, todos ficam imóveis. O restante do grupo observa e tenta descobrir do que se trata. Pode-se fazer este jogo com notícias de jornal.
  • O grupo, sentado ou em pé, acompanha, somente com a cabeça, o movimento de um objeto na mão do professor. Após entenderem o jogo, pode-se dividir em duplas, um fica com o objeto e o outro faz os movimentos, depois troca.

Objetivo: Desenvolver a sensibilização.

Atividades:

O professor passa uma bola de jornal dizendo tratar-se de um pássaro ferido. O “pássaro” irá de mão em mão, cada um deve recebê-lo com cuidado, atentando para o peso da ave, que deve ser imaginado pelo aluno e para sentimentos como pena, carinho, atenção.

Objetivo: Trabalhar a expressão corporal.

Atividades:

  • Agachado, encher o seu corpo como se fosse um balão. Conforme vai enchendo, a criança vai se levantando.
  • Repetir o jogo, estourando ao ficar bem cheio.
  • Caminhar como se fosse um balão cheio. De repente sopra um vento e o balão fica preso na copa de uma árvore (usar paredes e móveis da sala). O balão tenta sair e não consegue. O tempo passa e o balão vai murchando, até esvaziar por completo, caindo no chão.
  • Imaginar balões coloridos caindo do teto. O aluno deve tocá-los com a parte do corpo falada pelo professor.
  • Em dupla, um de frente para o outro, um aluno é a marionete e o outro o manipulador. Ao sinal, o manipulador movimenta fios invisíveis no corpo do colega, que deve agir como uma marionete. Depois de algum tempo, trocam os papéis.

Objetivo: Desenvolver a percepção.

Atividades:

  • Caminhar sobre diferentes tipos de solo (escorregadio, quente, gelado, pedregoso, com poças, com obstáculos, etc).
  • Um grupo caminha pela sala em fila, carregando acima da cabeça um objeto imaginário. O restante do grupo deverá dizer se é um objeto grande ou pequeno, leve ou pesado.
  • Descobrir objetos dentro de um saco somente com o tato. Depois, cada grupo, deve criar um história, cujo tema central seja um dos objetos.
  • Observar quadros e reproduzi-los com o corpo.

Objetivo: Trabalhar o uso da imaginação e da criatividade.

Atividades:

  • Em roda, passar objetos diversos e cada um deve criar uma nova utilidade para eles.
  • Passar uma caixa e cada um deve dizer o que acha que tem nela.
  • Ouvir uma música instrumental enquanto faz um desenho de uma paisagem. Dividir em grupos, escolher um dos desenhos e criar uma cena que se passe naquele local.
  • Ler notícias de jornal, fatos históricos, passagens da Bíblia, mudar o final ou o início e dramatizá-las.

 

Paty Fonte

Alessandra Mourão

Educadora, Graduada em Pedagogia, Pós Graduada em Artes Cênicas, palestrante, atriz, contadora de histórias.

Contatos no blog: http://www.criandartes.blogspot.com/

 

 

 

 

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