A importância da arte no processo ensino - aprendizagem


ArteA arte, ou expressão artística, é um dos maiores instrumentos de avaliação que o educador pode contar. Através dela, pode-se avaliar o grau de desenvolvimento mental das crianças, suas predisposições, seus sentimentos, além de estrutura a capacidade criadora, desenvolver o raciocínio, imaginação, percepção e domínio motor.

A criança, mesmo antes de aprender a ler e a escrever, reage positivamente aos estímulos artísticos, pois ela é criadora em potencial. Nesta fase, as atividades de artes fornecerão ricas oportunidades para o desenvolvimento das crianças, uma vez que põem ao seu alcance os mais diversos tipos de material para manipulação.

(...) Antes de ser preparado para explicar a importância da arte na educação, o professor deverá estar preparado para entender a explicar a função da arte para o indivíduo e a sociedade.

O papel da arte na educação e grandemente afetado Pelo modo como o professor e ao aluno vêem o Papel da arte fora da escola.
(Ana Mae Tavares Bastos 1991)

Nas escolas de Educação Infantil e de Ensino Fundamental a organização do trabalho de professores e alunos com a arte implica necessariamente a explicação, do que se entende por arte e por sua importância no cotidiano escolar.

Quando praticamos o ensino e aprendizagem da arte e por sua presença na escola surgem também questões que se referem ao seu processo educacional.

A formulação de uma proposta de trabalhar a arte na escola exige que se esclareça quais posicionamentos sobre arte e sobre educação escolar estão sendo assumidos. Por sua vez, tais posicionamentos implicam, também, na seleção de linhas teóricos-metodológicas.

Com relação à arte, existem teorias que podem contribuir para o desenvolvimento estético e crítico dos alunos, principalmente no que se refere aos processos de apreciação artística. São teorias que incorporam o relacionamento com as práticas e o acesso ao conhecimento da arte, mas sem a pretensão de atingir uma verdade única. O próprio conceito de arte tem sido objeto de diferentes interpretações: arte como técnica, materiais artísticos, lazer, processo intuitivo, liberação de impulsos reprimidos, expressão, linguagem, comunicação e outros.

Para nós, a concepção de arte que pode auxiliar na fundamentação de uma proposta de ensino e aprendizagem artísticos, estéticos, e atende a essa mobilidade conceitual, é a que aponta para uma articulação do fazer, do conhecer e do exprimir.

A educação em arte propicia o desenvolvimento do pensamento artístico, que caracteriza um modo particular de dar sentido à experiências das pessoas: por meio dele, o aluno amplia a sensibilidade, a percepção, a reflexão e a linguagem. Aprender arte envolve, basicamente, fazer trabalhos artísticos, apreciar e refletir sobre eles. Envolve, também, conhecer, refletir sobre as formas da natureza e sobre as produções artísticas individuais e coletivas de distintas épocas e culturas.

A arte é um fazer, é um conjunto de atos pelos quais se muda a forma, se transforma. A matéria oferecida pela natureza e pela cultura. Nesse sentido, qualquer atividade humana, desde que conduzida a um fim, pode chamar-se artística.

A arte é produção; logo supõe trabalho. Movimento que arranca o ser do não ser, a forma do amorfo, o ato da potência, o cosmo do caos.

É difícil a tarefa de encontrar um a definição geral para a arte. Todas essa definições de arte envolvendo beleza, verdade, forma, expressão são sempre históricas, uma vez que estão ligadas a um universo de valores culturais. Cada cultura acaba criando a sua concepção de arte.

Parece-nos impossível a uma definição geral e única da que dê conta da própria universalidade da arte e de toda experiência artística em todos os tempos, porque a mesma exige uma situação no espaço e no tempo.

Para tanto, é necessário conhecermos alguns conceitos de arte e o seu tempo histórico.

Na acepção estrita do termo, Arte vem da palavra Ars, artis, corresponde ao grego tekné, que significa apenas o ato de fazer bem objetos utilitários, destinados a fins práticos, uma cadeira por exemplo.

Quanto ao conceito de póiesis (criação) é muito amplo, "tudo aquilo que é causa de que (seja o que for) passe do não ser é criação, de modo que todas as atividades que entram na esfera de todas as artes são criações; e os artesãos destas são criadores ou poetas (poietés)" (Platão, 1972).

O conceito de Belo teve na cultura e na filosofia grega, implicações morais e intelectuais que condicionaram o alcance do seu sentido estético. Foram três as acepções fundamentais do Belo que prevaleceram entre os gregos: estética, moral e espiritual.

No sentido estético, o Belo é a qualidade de certos elementos em estado de pureza. Como sons e cores agradáveis. A beleza dos elementos puros repousa na sua adequação aos sentidos sobretudo à vista e ao ouvido.

No sentido moral, o Belo é justamente o patrimônio das almas equilibradas, que conseguem manter em harmonia, a igual distância da virtude e do vício, é o estado da alma.

No sentido espiritual ou intelectual o Belo a do conhecimento teórico existe uma relação hierárquica. A estética provocando um prazer moderado, ajusta-se ao equilíbrio das faculdades superiores da alma e esse equilíbrio é a Beleza moral. Por sua vez a Beleza moral tende a completar-se na contemplação da verdade, estado que, para os filósofos gregos do século V a.C., é aquele que condiz com a natureza racional e intelectual do ser humano. Essa união efetivou-se no conceito de kalogathia (se belo e bom), ideal pedagógico da sociedade grega do século V a.C., em razão do qual Platão determinou aos jovens de sua república que praticassem exercícios ginásticos, para terem o corpo bem formado (beleza estética), e cultivassem, em contato com as artes musicais a harmoniosa conformação do espírito (beleza moral).

O significado das acepções analisadas se ligam entre si e constituindo a excelência e o grau de perfeição desejáveis nas coisas exteriores, na conduta e no conhecimento.

Estética palavra derivada do grego "aisthesis" significa o que é sensível ou o que se relaciona com a sensibilidade Estética palavra derivada do Grego "aisthesis", significa o que é sensível ou o que se relaciona com a sensibilidade.

A arte fundamenta-se numa visão do ser humano como criador e na relação que este tem com a natureza. O ato criador relaciona-se com a capacidade de inventar novas formas, buscando novas ordenações e novos significados presentes, até mesmo, na sociedade atual.

Desenvolver um projeto de arte proporciona aos educandos ampliar suas habilidades artísticas: a sensibilidade, a reflexão, a percepção e a imaginação. Através de algumas dinâmicas e técnicas de pintura, os educandos se expressam livremente, manifestando suas emoções, seu ritmo interior e seus interesses, pois a expressão plástica é a linguagem que constitui a comunicação com o mundo. Os alunos passam, então, a conhecer, apreciar e a refletir sobre as formas da natureza e o que foi produzido artisticamente em diferentes épocas.

A arte é uma atividade íntegra de personalidade. Fazendo arte a pessoa usa seu corpo, sua percepção, seus conceitos, sua emoção, sua intuição, tudo em uma atividade que não divide em compartimentos, mas, ao contrário, integra os vários aspectos da personalidade.

Partindo destes pressupostos, pode-se trabalhar com as crianças da Educação Infantil e 1º Ciclo do Ensino Fundamental:

A História da Arte: sua origem com os povos primitivos.

- Na aula de informática as crianças interagem com imagens reais de obras e ferramentas confeccionadas e utilizadas na idade da Pedra.

- Com o objetivo de valorizar as diversas manifestações artísticas, pode-se trabalhar a vida e a obra de Grandes Mestres da Arte Mundial como: Pablo Picasso, Wolfgang Amadeus Mozart, Michelangelo Buonarroti, Ludwing Van Beethoven, Vicent Van Gogh e Peter Tchaikovsky. Dando maior importância às obras mais conhecidas destes Mestres, enfatizando o significado de cada uma. Este trabalho pode ser desenvolvido paralelo ao de artes plásticas, aguçando ainda mais a percepção visual, auditiva e compreendendo a música como produto cultural histórico em diferentes evoluções.

- Através do computador as crianças têm a oportunidade de conhecer a história e as principais obras de Picasso. Com seu estilo divertido e colorido, de formas planas e arredondadas, Picasso desperta o interesse e a imaginação das crianças. Quanto a Mozart, o mais interessante para as crianças é que este compositor iniciou a sua vida artística exatamente com a idade das crianças da Educação Infantil.

- Através da história do artista Michelangelo, fica muito presente a beleza da sua obra na Capela Sistina, onde utilizou a técnica do Afresco. As crianças necessitam do momento de expressar esse trabalho, utilizando a mesma técnica. Participando desde o preparo do gesso até a fase final: a pintura.

- Através de Van Gogh as crianças descobrirão que, em suas primeiras pinturas, ele utilizava cores tristes e sombrias, pois queria mostrar a todo o mundo como era a dura vida dos pobres, o que ficou explícito na obra "Os comedores de batata". Proponha as crianças que levem batata: doce, salsa e batata inglesa. Trabalhe os tipos de batatas existentes e de que modo são plantadas. Arrume a sala como o ambiente retratado na pintura (escura, iluminada apenas pela luz da vela). Cada criança então deverá receber um pouco de cada tipo de batata para perceber a diferença de cada uma. Em seguida, pode ser proposta uma atividade de pintura utilizando as batatas como carimbo.

- Ao conhecerem a vida de Tchaikovsky, as crianças, geralmente, demonstraram muito interesse, pois este foi compositor de três grandes obras bastante conhecidas, que se tornaram tema de balés: "O Quebra Nozes", "A Bela Adormecida" e o "Lago dos Cisnes". Estes devem ser trabalhados com as crianças da seguinte maneira: Cada turma pesquisa uma das obras através de livros e filmes e, depois, apresenta através de teatro para as demais classes.

Através dos novos conhecimentos, o Ensino para Arte promove mais vida ao desenvolver o senso ético e estético, solidariedade quando a arte é sentida e experimentada e paz quando tornamos possível que os alunos possam integrar os conteúdos abordados e interagir com as experiências do meio em que vivem. Assim sendo, contribui-se para o aperfeiçoamento dos sentidos humanos, o desenvolvimento da emoção estética e para a valorização da atividade artística na constante descoberta do ser que está se humanizando.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

  • BARBOSA, Ana Mae Tavares Bastos. A imagem no ensino da arte: anos oitenta e novos tempos. São Paulo: Perspectiva; Porto Alegre: Fundação IOCHPE, 1991.
  • Arte-Educação no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 1978.
  • Arte-Educação: conflitos e acertos. São Paulo: Max Limonad, 1984.

 

 

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