Aulas de História: dinâmicas, divertidas e significativas


 

Há bastante tempo procuramos bons projetos desenvolvidos por professores de História para publicar no site. A busca foi longa e, por vezes, desanimadora. Ainda é muito comum nas escolas aulas baseadas em livros didáticos e questionários. Porém, não desistimos e persistimos na crença de que existem professores engajados e antenados com a realidade educacional atual. Até que tivemos o imenso prazer de encontrar o Prof. Leandro Villela de Azevedo que se define como: “Um professor de história, historiador, educador, apaixonado pela vida e pelo conhecimento, com desejo de compartilhar suas experiências com outras pessoas.”

Com muita criatividade e usando a tecnologia a seu favor o Prof. Leandro planeja e desenvolve aulas que servem de exemplo e incentivo a outros profissionais.


PROJETO CLIPPING - ATUALIDADES

Cada vez mais a matéria "Atualidades" ganha espaço dentro de vestibulares, ENEM, concursos públicos, entre outros, ainda que não receba o nome específico de "Atualidades". Não é pra menos. Em nosso mundo dinâmico o conhecimento do que ocorre em nosso país e em nosso mundo é essencial. E, por mais que alguns professores possam reclamar da falta de conhecimento de mundo dos alunos, percebemos que é função da escola trazer contato dos alunos com esse "mundo lá fora".

Entretanto, ter conhecimento de vários nomes, datas, etc. pode não ser nada eficiente. Não basta que os alunos aglutinem informações, é preciso que eles consigam compreender essas informações e notícias dentro de um contexto mais amplo, que consigam tecer opiniões sobre as mesmas (não achismos que somente se faz reproduzir o que se ouviu em casa, leu na revista ou viu no jornal), mas uma opinião que possa levar em conta diversas facetas de uma notícia e a reflexão pessoal sobre essas.

E como a escola pode contribuir para esse aspecto tão difícil da vida adulta que derruba até mesmo muitos adultos?

Tenho há dois anos me utilizado de duas ferramentas que, embora não sejam perfeitas, têm me ajudado a cumprir os objetivos acima.

Uma delas é o Clipping.

Muitas empresas da atualidade realizam o Clipping. Trata-se de uma seleção de notícias de um determinado tema, que é pertinente à área de atuação daquela empresa, e repassado aos funcionários, para que eles possam sempre estar "por dentro" do que acontece naquela área. Isso é feito de forma objetiva e resumida, não dando margem a que eles se "percam" atrás de notícias de "menor importância".

No caso da escola, o projeto do Clipping funciona assim:

  • Divido os alunos em grupos temáticos: Exemplo: Política Nacional, Política Internacional, Economia Nacional, Economia Internacional, Cultura, Saúde, Tecnologia.
  • Cada aluno também recebe um dia de postagem semanal.
  • Criamos um blog através do Blogger. É função de cada aluno entrar semanalmente, no dia de sua postagem, e colocar no Blog uma notícia, retirada de um jornal online, a respeito do seu tema. Durante toda a primeira etapa (com duração de 1 a 2 meses) tudo o que é necessário é isso. Entrar, colocar a postagem.

É importante, entretanto, que após a postagem você comece a trabalhar pouco a pouco a "fase 2" que é o comentário crítico. Essa parte é mais difícil, pois é necessário que o aluno já tenha certa consciência do que está acontecendo e do contexto das notícias, que precisa ser discutido em sala de aula.

O comentário crítico, assim como uma crítica de cinema, serve para mostrar ao leitor do Clipping que há mais informações para serem consideradas, além das que estão colocadas na notícia, tentando contextualizar essa em um cenário mais amplo.

O Resultado do Clipping que venho desenvolvendo com os alunos está aqui: http://clipingvillare.blogspot.com/

Além disso é interessante que os professores compartilhem entre si os Clippings de seus alunos, de modo que em cada escola os alunos tenham acesso a Clippings feitos em outras escolas também.

PROJETO FOTONOVELA / HISTORIA EM QUADRINHOS

Sendo professor há 11 anos, trabalho com histórias em quadrinhos há 10. Nestes anos foi possível perceber que essa atividade, que para o aluno parece lúdica, permite ao professor uma série de percepções que seriam impossíveis em uma avaliação formal. Ressalto algumas das vantagens deste trabalho para justificar a questão das fotonovelas:

1 - Criação própria do aluno:

FotonovelaNão estamos criando "máquinas de copiar" e nem sempre exercícios formais permitem uma reflexão dos alunos, especialmente nas séries iniciais do fundamental II. Por vezes, mesmo que o professor proponha uma atividade interessante, se ele não a planejar com muito cuidado, corre o risco de pegar um trabalho copiado e colado da Internet. Entretanto, ao propor a criação de uma história em quadrinhos (ou fotonovela) isso se torna impossível, uma vez que o aluno terá de fazer sua própria criação do começo ao fim. Não existe esse produto pronto para ele querer copiar, e unindo isso ao aspecto lúdico, você verá o seu aluno aparecendo na atividade.

2 - Percepção de dúvidas antes não apresentadas:

Quando o aluno começa a produção é que ele percebe que não havia compreendido exatamente algum conceito, isso em especial pois agora ela vai precisar colocar aquele conceito em prática. Às vezes, mais do que o aluno perceber sua própria dúvida, uma utilização inadequada de um conceito permite ao professor perceber a dúvida e apresentar ao aluno.

Exemplos:
Um Egípcio antigo falando "então, como nós vivemos em 2000AC" ... a nossa ideia de contagem do tempo é transposta ao passado, demonstrando que o aluno não compreendeu que povos diferentes contam o tempo de formas diferentes
Um indiano na antiguidade falando "pelo amor de Deus, faça isso" ... a nossa ideia de monoteísmo se transpõe para outra cultura, demonstrando que o aluno não compreendeu a ideia do politeísmo.

Um soldado vê uma invasão molgol e sai correndo até o palácio do imperador, chega correndo e cansado e dá a notícia da invasão ... a nossa ideia de imediatismo e proximidade dos locais com os transportes modernos tiram a ideia do aluno de que uma jornada dessa poderia demorar meses.

3 - Pesquisa aplicada por parte do aluno.

FotonovelaAo criar sua história, o professor deve focar que a nota será em parte pela criatividade e em parte pela "precisão histórica" ou seja, o aluno não se utilizar de elementos anacrônicos (ou seja, não pertencentes à época histórica retratada). Isso força o aluno a pesquisar novos elementos, por exemplo:

  • Na mesopotâmia antiga eles usavam sapato?
  • Na grécia antiga quem fazia casamento eram os padres?
  • Na Roma antiga eles enterravam os mortos?

Com a pesquisa sendo feita para preencher uma lacuna na sua própria produção o aluno vê sentido naquela busca.

A ideia da fotonovela é simples (a produção nem tanto). Ao invés de se utilizar de desenhos, os alunos tiram fotos das pessoas do grupo usando fantasias improvisadas daquele povo e depois editam as fotos para colocar as falas e se colocar sobre fundos da época.

Essa atividade tem um nível de complexidade maior e é ideal que, ou o professor tenha conhecimentos de programas de edição de fotos, como o photoshop, ou então que um professor de informática auxilie no processo.

Apesar das dificuldades, há uma série de vantagens:

  1. Uso de novas tecnologias, aprendendo a utilização de programas que lhe serão úteis no dia a dia após a atividade.
  2. Desenvolvimento das habilidades corporais, normalmente pouco desenvolvidas durante as aulas de história (que usam mais o raciocínio visual e linguístico).
  3. Desenvolvimento da criatividade em maior escala, porque além de criar o mundo (imaginação) é preciso adaptar-se às tecnologias e improsivo das fantasias.
  4. Maior ênfase no trabalho em grupo, afinal é possível fazer uma história em quadrinhos sozinho (por mais que dê trabalho) mas é impossível fazer uma fotonovela individualmente.
  5. Maior facilidade de divulgar o resultado pela internet para amigos e família.

CAMPEONATO DE FANTASIAS DE IMPROVISO

Quem disse que os alunos não podem se divertir durante as aulas? Bem, para dizer a verdade já são poucos os professores que hoje em dia acreditam em uma aula sem toques de diversão. Mesmo assim, algumas atividades podem trazer novos elementos de risadas ao mesmo tempo que ensinam.

Essa atividade foi desenvolvida nas classes de sexto ano onde trabalho com a diversidade cultural. Unindo os temas de história antiga, onde vemos várias das primeiras civilizações, entro com a ideia de respeito às diferenças, uma vez que nos deparamos com culturas, crenças, costumes muito diferente dos nossos.

Nos meus programas de 6º ano vemos: Mesopotâmia, Egito, Índia Antiga, China Antiga, Mongólia antiga, Civilizações Mezzoamericanas, Civilizações Andinas e Celtas, antes de entrarmos nos tradicionais Fenícios, Hebreus, Persas, Gregos e Romanos.

Com tanta diversidade cultural, temos uma "celebração" especial próxima ao final do ano que é o "Campeonato de Fantasia de Improviso" a ideia é que os alunos tentem criar fantasias improvisadas, com retalhos de pano, EVA, TNT, papel crepom, até panela de casa pode trazer. Não é permitido nenhum tipo de costura a máquina ou objeto que tenha sido feito especificamente para ser fantasia, mas não proibido xales ou lenços por exemplo.

O resultado não é um grupo de fantasias profissionais, mas o principal é que a criatividade dos alunos é trabalhada, em conjunto com a sua atenção a pequenos detalhes, sejam culturais ou não. Por exemplo, ter uma correntinha com uma cruz sendo uma indiana antiga, pode fazer perder muitos pontos, deixar a mostra o relógio também. É preciso prestar atenção nos detalhes na hora da foto oficial.

Os critérios para a nota são:

  1. Criatividade (melhor uso dos objetos)
  2. Precisão Histórica (não haver objetos e elementos anacrônicos)
  3. Cooperação (uma vez que são vários alunos ajudando a montar a fantasia em apenas um)

Veja abaixo algumas fotos dos restultados:

Fantasias

 

Prof. LeandroProf. Leandro Villela de Azevedo - Mestre e Doutor em História Social, com Graduação em História (USP). Disponibilidade para atuar no Ensino Superior. Vivência como Professor de Ensino Fundamental e Médio. Destacada prática com projetos educacionais. Autor de livros e artigos.

Contatos:

 

 

 

blog comments powered by Disqus