Sugestões de História e Geografia

Algumas considerações sobre o ensino de História:

  • Ensinar História é muito mais do que falar sobre os acontecimentos do passado, decorar datas importantes e conhecer personagens que marcaram época. Existem competências, como a de interpretar documentos, a de realizar debates e a de produzir textos científicos, que encontram na disciplina um terreno muito fértil para se desenvolver. E que, portanto, também devem aparecer estruturadas entre os esquemas do plano de aula.
  • Cabe aos professores casar os conteúdos procedimentais aos factuais, de maneira que ambos sirvam de apoio um ao outro. O bom planejamento é aquele que atinge essa integração, sem deixar lacunas.
  • Para enriquecer o material adotado pela escola ( livro didático ) é importante correr atrás de novas fontes e usá-las em sala de aula: Recortar artigos interessantes nos jornais, gravar documentários exibidos pela televisão e anotar nomes de músicas.
  • Sair da sala de aula é sempre uma estratégia válida. Quebra a rotina e envolve mais os alunos no tema estudado. O professor pode conduzir, encaminhar o conhecimento em visitas a museus, por exemplo.
  • O professor tem de estar atento e disposto a rever os planejamentos no caso de a aula não dar Ibope ou de surgir algum imprevisto. Todo plano é flexível e nunca deve ser transformado numa camisa de força.
  • O ensino de História não envolve apenas a aprendizagem de fatos e conceitos. Pelo contrário. Ao longo do primeiro e do segundo ciclos do Ensino Fundamental, é muito importante que os alunos possam construir certos procedimentos relacionados à pesquisa e ao tratamento da informação que, sem dúvida, os ajudarão a compreender a História enquanto uma área de conhecimento em construção e não uma verdade sobre o passado.

Algumas considerações sobre o ensino de Geografia:

  • É um erro comum e persistente pretender tomar e ensinar fatos geográficos isolados e atomizados.
  • Em todas as séries escolares, mas sobretudo nas primeiras, o professor de geografia deve procurar desenvolver nos alunos o espírito de observação e de precisão. 0 resultado é facilmente obtido acostumando-se a criança a examinar e explicar com atenção um mapa, por mais simples que seja, uma figura, uma projeção fotográfica. 0 aluno deve ser exercitado progressivarnente na localização precisa e na descrição do documento que lhe é apresentado. Não seria conveniente que esse documento fosse muito científico e complicado. 0 professor deve, ao contrário, limitar-se ao menos no começo, a oferecer somente mapas e figuras muito simples, pedindo aos alunos que descrevam primeiro os principais elementos. Somente depois disso poderá passar às minúcias e finalmente será possível tentar fazer os alunos descobrirem e exporem as relações existentes entre os diferentes fatos anteriormente conhecidos, descritos e identificados.
  • O ensino da geografia desenvolve o senso do tempo e ajuda a compreender a noção da evolução. Relevo, solos, gêneros de vida, modos de ocupação do solo, correntes de comércio, potência das nações, tudo evolui e cada capítulo de um curso de geografia consigna esta constante transformação, indicando-lhe simultaneamente os fatores e as conseqüências. Esse aspecto da geografia, portanto, ressalta que o ensino bem feito dá aos jovens o senso da realidade e ao mesmo tempo o da evolução. Pode ajudá-los a se compenetrarem de sua posição exata na curva do tempo; de herdeiros do pas­sado e germes do futuro. Resultado esse obtido não por meio de frases e discursos que os jovens não escutariam ou de que pouco se lembrariam, mas por fatos exatos cuja lição aparece automaticamente. Tanto mais que os alunos estão numa idade em que fazem questão de ser modernos e realistas.
  • Outro aspecto favorável do ensino geográfico moderno deve agora prender nossa atenção: seu valor no ensino cívico e moral. Jovens alunos ou alunas de colégio estão em vésperas de se tornarem cidadãos, eleitores num grande país moderno. Ao se depararem com os problemas do país, estes jovens cidadãos devem ter, quando não uma opinião definitiva, ao menos uma idéia de sua importância. Não se concebe que o ensino, a que compete preparar os homens, não seja igualmente uma escola de cidadãos.

O ensino da História e da Geografia por meio de projetos

No que se refere especificamente ao ensino da História e da Geografia, o trabalho com projetos representa uma solução para o professor. Através deles, ele poderá trabalhar de forma mais flexível com uma maior diversidade de conteúdos, indo além daqueles tradicionalmente abordados nos livros didáticos. Além disto, os projetos permitem integrar conteúdos da História e da Geografia entre si e também com conteúdos das demais áreas de conhecimento, sobretudo a Língua Portuguesa. Essa integração proporciona ao aluno a oportunidade de estabelecer relações entre fatos, conceitos e procedimentos das diferentes áreas para o entendimento de um fenômeno social ou natural. Isto é especialmente interessante quando se pretende que os alunos construam compreensões cada vez mais amplas sobre uma mesma temática, vindo a percebê-la desde diferentes pontos de vista.

O trabalho com projetos, porém, deve considerar as especificidades de cada uma das áreas envolvidas, pois essa forma de organizar o trabalho não representa sua diluição em um único trabalho, pelo contrário. Nesse sentido, é interessante que o professor defina quais são os objetivos e conteúdos específicos de cada uma das áreas envolvidas no projeto.

Vale a pena ressaltar que o envolvimento dos alunos em um projeto de estudo é algo essencial. Eles precisam atribuir algum sentido a este projeto, identificar sua relevância intelectual ou mesmo social. Um problema que os desafie a buscar informações, trocar idéias, discutir e tomar decisões é uma forma interessante de iniciar um projeto. Determinar com os alunos as etapas que serão percorridas para que esse problema seja solucionado, definir prazos e tarefas, combinar a função de cada aluno ou grupo de alunos (bem como a do professor) nesse trabalho coletivo são outros aspectos a serem considerados.

Existem alguns procedimentos do trabalho de pesquisa que o professor deverá ensinar aos alunos, a fim de que eles possam aprender a realizar pesquisas e também adquirir uma maior consciência de seu processo de aprendizagem. Estes procedimentos podem ser compartilhados através de roteiros nos quais as etapas do projeto de estudo que será desenvolvido são discutidas e decididas com os alunos.

Roteiro de pesquisa · O que queremos saber? Definir com os alunos quais as perguntas que eles gostariam de ver respondidas a respeito do tema a ser pesquisado. · O que precisamos para saber responder? Definir um cronograma de pesquisa com as ações necessárias para responder às perguntas levantadas. · Onde encontramos o que precisamos? Levantar com os alunos quais as fontes de informação que podem ser consultadas. O professor pode sugerir a utilização de enciclopédias, revistas, atlas, livros paradidáticos, filmes, documentários etc. · Como obtemos os materiais de que necessitamos? O professor deve orientar os alunos sobre como obter os materiais de pesquisa, ensinando-lhes a consultar uma biblioteca, a realizar uma entrevista e também a organizar um arquivo das informações levantadas. · Como apresentamos os resultados da pesquisa? Definir com os alunos a forma de apresentação final dos resultados da pesquisa. · Como avaliamos aquilo que aprendemos? O professor pode retomar as questões levantadas no início da pesquisa e avaliar com os alunos quais foram respondidas e quais não. Será uma boa ocasião para discutir sobre as perguntas que surgiram ao longo do projeto e aquelas que ficaram sem respostas.

É importante que os projetos realizados tenham algum tipo de fechamento, pois assim os alunos podem compartilhar com os demais colegas da escola ou mesmo com seus familiares os conhecimentos aprendidos durante o estudo. Esse fechamento pode ser materializado através de um produto final, cuja elaboração pode ser decidida com os alunos, que desse modo poderão aprender a definir funções e dividir o trabalho.

Por outro lado, é interessante que esse produto envolva mais de uma linguagem, não apenas a escrita. A produção de livros ilustrados, painéis, cartazes, maquetes, álbuns, folhetos, seminários, exposições, campanhas, dramatizações e instalações são alguns dos produtos que podem ser feitos, sempre considerando a autonomia dos alunos e o papel do professor como colaborador e facilitador.


::Voltar::

Copyright © Projetos Pedagógicos Dinâmicos - Todos os direitos reservados - Desenvolvido por Hemery Design