Projeto Cordel- Projetos Pedagógicos Dinâmicos
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Postado em 26 de fevereiro de 2010
Metodologia Sugestão de desenvolvimento Análise dos dados e discussões Avaliação A origem da literatura de cordel Literatura de Cordel Xilogravura A estrutura da Métrica Parcela ou verso Parcela ou Verso de quatro sílabas Verso de cinco sílabas Estrofes de quatro versos de sete sílabas Sextilhas Setilhas Oito pés de quadrão ou Oitavas Décimas Martelo Agalopado Galope à Beira Mar Meia Quadra As diferenças entre repente, literatura de cordel e embolada. A história da literatura de cordel no Nordeste Referencial teórico
Metodologia
Sugestão de desenvolvimento
Análise dos dados e discussões
Avaliação
A origem da literatura de cordel
Literatura de Cordel
Xilogravura
A estrutura da Métrica
Parcela ou verso Parcela ou Verso de quatro sílabas
Verso de cinco sílabas
Estrofes de quatro versos de sete sílabas
Sextilhas
Setilhas
Oito pés de quadrão ou Oitavas
Décimas
Martelo Agalopado
Galope à Beira Mar
Meia Quadra
As diferenças entre repente, literatura de cordel e embolada.
A história da literatura de cordel no Nordeste
Referencial teórico
É muito rica e diversificada a produção cultural de um povo; mas o nordestino é especial. No entanto, talvez o nosso maior problema seja a não valorização daquilo que temos. É mais propício aceitar o que a mídia propõe do que explorar o que está em nosso dia-a-dia.
O Brasil é um país composto de muitas raças, cultos, tradições e arte muito rica. Podemos citar inúmeras manifestações da arte/cultura da música, dança, artes plásticas e entre elas a literatura. Vários autores renomados também são lembrados todos os dias.
O sucesso de algumas obras e seus autores é notório, mas, no nordeste, autores anônimos para o resto do país são verdadeiras celebridades no cenário regional. A literatura de cordel conta de maneira simples a vida do sertanejo, o amor, a liberdade, a natureza, o folclore, a política, religião, enfim, todas as manifestações importantes na vida do nordestino e da nação em prosa e verso.
A literatura de cordel é exatamente isso – cultura popular. Os versos estão sempre relatando acontecimentos, fatos políticos, artísticos, lendários, folclóricos ou pitorescos da vida como ela realmente é. Sua produção é simples como o povo; não requer tanto "estilísmo" ou "formalidades"; sua abrangência alcança todos as classes sociais. Assim, o que falta é o reconhecimento e a valorização. Ao propor este trabalho para os alunos em sala de aula, estaremos oferecendo um leque de recursos que os ajudarão em várias carências de aprendizagem, como a produção textual, a leitura, a escrita, a linguagem não verbal (na análise da xilogravura), apreciação artístico-literária e um universo para a socialização e cidadania, principalmente, no campo da Literatura. É um campo de estudo pedagógico onde os professores terão subsídios – didáticos para trabalhar vários tipos de conteúdos, pois estes podem ser adotados aos objetivos que forem traçados. Ao mesmo tempo é uma oportunidade para que este ramo da literatura popular tenha uma chance de aceitação e valorização; fazendo despertar entre as pessoas o gosto pela preservação dos nossos artistas e da cultura nordestina nas escolas.
Frente à riqueza da literatura brasileira e o pouco reconhecimento de sua importância no cenário nacional, vimos à necessidade de publicar o presente projeto, visando despertar interesse e respeito pela literatura regional.
Público alvo: Alunos a partir do 3º ano do Ensino Fundamental. Duração: Aproximadamente 2 semanas. Objetivos:
Reconhecer a diversidade literária no Brasil; Conhecer a literatura característica do Nordeste; Valorizar e respeitar a multiculturalidade própria do nosso país e os significados e coletividades, experiências comunitárias, e o imaginário do folclore, presente na produção do cordel; Conhecer uma rica manifestação da nossa literatura (nordestina) caracterização de valores pedagógicos (leitura, escrita e métrica dos versos) na utilização do Cordel; Possibilitar o aluno o conhecimento da linguagem cordelista, enfocando a cultura nordestina em prol da valorização das nossas raízes; Promover uma aproximação do aluno com a cultura popular nordestina; Estimular um olhar crítico e simultaneamente poético sobre a realidade sertaneja; Discutir com os alunos como a Literatura de Cordel, até por sobrevivência acaba de incorporar inovações da industrial cultural o que a torna mais rica e diversificada. Confeccionar mapa localizando a abrangência da literatura de cordel no Brasil; Elaborar textos narrativos; Confeccionar e ilustrar os folhetos de acordo com as narrativas; Organizar exposição de trabalhos;
Reconhecer a diversidade literária no Brasil;
Conhecer a literatura característica do Nordeste;
Valorizar e respeitar a multiculturalidade própria do nosso país e os significados e coletividades, experiências comunitárias, e o imaginário do folclore, presente na produção do cordel;
Conhecer uma rica manifestação da nossa literatura (nordestina) caracterização de valores pedagógicos (leitura, escrita e métrica dos versos) na utilização do Cordel;
Possibilitar o aluno o conhecimento da linguagem cordelista, enfocando a cultura nordestina em prol da valorização das nossas raízes;
Promover uma aproximação do aluno com a cultura popular nordestina;
Estimular um olhar crítico e simultaneamente poético sobre a realidade sertaneja;
Discutir com os alunos como a Literatura de Cordel, até por sobrevivência acaba de incorporar inovações da industrial cultural o que a torna mais rica e diversificada.
Confeccionar mapa localizando a abrangência da literatura de cordel no Brasil;
Elaborar textos narrativos;
Confeccionar e ilustrar os folhetos de acordo com as narrativas;
Organizar exposição de trabalhos;
Metodologia:
Pesquisas; Propor aos alunos uma oficina de literatura, utilizando o cordel, como estudo. Estudar o cordel, a origem, a historia, a métrica. Desenvolver um projeto "resgatando o cordel" para ser apresentado em sala de aula. Assistir vídeos onde a linguagem utilizada seja em forma de cordel. Utilizar filme "A Quenga e o Delegado" inspirado no cordel de Antonio Kelvisson Vianna de Lima, onde mostra a linguagem do cordel, narrativa estrutura em versos e rimas e assim desenvolver o interesse do aluno sobre a linguagem cordelista. Aproveitar o teor do filme "A Quenga e Delegado" para fazer um painel enfocando questões como a seca, condições de trabalho no campo, diferença social, as crenças populares, a religiosidade do sertanejo, o mito, o lendário e a vinculação de críticas sociais e políticas. A temática principal deste gira em torno do interesse popular. Elaboração de textos; Confecção de folhetos; Exposição.
Pesquisas;
Propor aos alunos uma oficina de literatura, utilizando o cordel, como estudo.
Estudar o cordel, a origem, a historia, a métrica.
Desenvolver um projeto "resgatando o cordel" para ser apresentado em sala de aula.
Assistir vídeos onde a linguagem utilizada seja em forma de cordel.
Utilizar filme "A Quenga e o Delegado" inspirado no cordel de Antonio Kelvisson Vianna de Lima, onde mostra a linguagem do cordel, narrativa estrutura em versos e rimas e assim desenvolver o interesse do aluno sobre a linguagem cordelista.
Aproveitar o teor do filme "A Quenga e Delegado" para fazer um painel enfocando questões como a seca, condições de trabalho no campo, diferença social, as crenças populares, a religiosidade do sertanejo, o mito, o lendário e a vinculação de críticas sociais e políticas. A temática principal deste gira em torno do interesse popular.
Elaboração de textos;
Confecção de folhetos;
Exposição.
A literatura de cordel nas escolas não é muito conhecida nem explorada, pois a mesma é vista de forma avessa pelos os alunos, não trazem consigo o sabor de que "Literatura é vida, é arte" devido essa percepção a respeito da falta de divulgação e conhecimento sobre literatura de cordel nas salas de aulas , tornou-se necessário que os alunos conheçam a riqueza que existe nos versos da literatura da cordel para que possam produzir textos, enriquecer como leitor e conhecer uma das mais ricas manifestações da língua.
Sugestão de Desenvolvimento:
Etapas Ações Pesquisar sobre o tema Os alunos irão para a biblioteca pesquisar a literatura de cordel. Mapas Localizar no mapa do Brasil a região onde a literatura de cordel é mais presente; Escolha de tema para elaborar textos Depois da pesquisa cada aluno irá escolher um tema para elaboração de texto narrativo auxiliados pela professora de português; Confecção dos cordéis Os alunos com os textos já elaborados irão confeccionar os cordéis, ilustrar de acordo com a narrativa. Exposição dos trabalhos Finalizando o projeto, os alunos farão uma exposição dos trabalhos elaborados por eles no estilo feira do Nordeste, isto é, em varais presos com prendedores de roupa para a apreciação do público.
Etapas
Ações
Pesquisar sobre o tema
Os alunos irão para a biblioteca pesquisar a literatura de cordel.
Mapas
Localizar no mapa do Brasil a região onde a literatura de cordel é mais presente;
Escolha de tema para elaborar textos
Depois da pesquisa cada aluno irá escolher um tema para elaboração de texto narrativo auxiliados pela professora de português;
Confecção dos cordéis
Os alunos com os textos já elaborados irão confeccionar os cordéis, ilustrar de acordo com a narrativa.
Exposição dos trabalhos
Finalizando o projeto, os alunos farão uma exposição dos trabalhos elaborados por eles no estilo feira do Nordeste, isto é, em varais presos com prendedores de roupa para a apreciação do público.
OBS: Sempre cabe aos professores analisarem os objetivos, estudarem o tema e adaptarem as propostas de atividades aos interesses, necessidades e faixa-etária de seus alunos.
A aprendizagem, trata-se de um processo, pelo qual o aluno se apropria das experiências de ensino do cotidiano, o qual analisa para futuramente explorá-la no meio em que vive. Nesse intere de relação existente entre professor e aluno, vem-nos a pergunta, qual seria a melhor maneira de se aprender Literatura, quando os alunos de hoje têm a leitura como uma "tortura"?
Na verdade, percebe-se que o professor, bem como a escola devem estar aptos a captarem a melhor forma de ensinar, se responsabilizando na melhoria da qualidade da educação, conforme bem asseverou Paulo Freire, 1985:77, "Queremos ter uma escola viva , em que se viva a cidadania e não uma escola onde um dia se sonhe em ser cidadão. A infância já cidadã, é ser vivo já, é ser social já".
A arte, trata-se da melhor forma de chamar à atenção do aluno, pois propicia o desenvolvimento do pensamento artístico, que se caracteriza em um eu particular de cada aluno. A questão do ensino da leitura literária, envolve um exercício de reconhecimento, fazendo estarem presentes na escola em relação aos textos literários.
Daí surge a Literatura de Cordel, como meio incentivador para o ensino de literatura. Na verdade, essa Literatura bastante desconhecida aqui mesmo na região nordestina, onde dela se extrai um grande número de cordelistas, percebe-se que as escolas não trabalham esse tipo de literatura, que é bastante excluída nas salas de aula, bem como nos livros didáticos.
Ora, a literatura de cordel, trata-se de um veículo de fabuloso fomento à identidade regional, foi por muitos anos a principal forma de veiculação de notícias em vários Estados do Nordeste. Hoje, sem muita importância, é pouco desenvolvida por alunos em salas de aula, os quais poucos a conhecem.
Destacando o texto de José Romero Araújo Cardoso, ao tratar dessa literatura bastante desconhecida em seu artigo "A Importância do Cordel na Sala de Sula", o qual destaca iniciativas como a de Arievaldo Viana, através do projeto intitulado "Acorda Cordel na Sala de Aula", ressalta a importância de se estudar o cordel em sala, ou seja, como forma de incentivo no ensino da literatura. Romero destaca as atividades desenvolvidas por Arielvado, onde o mesmo desenvolve sua verve extraordinária alertando sobre a necessidade de primar por normas ortográficas e gramaticais corretas, tendo em vista que o cordel, quando usado para alfabetização, principalmente de jovens e adultos, os quais já por estarem com uma idade já considerada avançada em se alfabetizarem o cordel entra nesse cenário como a melhor maneira que Arievaldo Viana encontrou para a alfabetização de jovens e adultos.
Romero ressalta, ainda, em seu artigo a influência do cordel na vida de Arievaldo, o qual desde a infância, quando se verificou o contato do mesmo com grandes nomes das bravuras e feitos épicos narrados primorosamente em folhetos de diversos mestres do passado. Destaca, ainda, que o Cordel tinha decisiva importância na formação do povo nordestino em razão que o advento do rádio e da televisão era pouco enfático.
De acordo com Arievaldo Viana, a escola exclui o cordel da sala, mostrando outro tipo de literatura difícil para quem está acabando de aprender a ler e escrever:
As pessoas acabam de aprender a ler, e a escola oferece logo livros do Machado de Assis, Augusto dos Anjos, Drumond e outros autores. São excelentes escritores e poetas, mas o texto deles, para quem acabou de começar a ler, é muito denso e difícil de entender. Por isso, eu acredito que seja necessário que as escolas de ensino fundamental utilizem, nas bibliotecas, os folhetos de cordéis porque são textos simples e mais agradáveis para quem acaba de começar a ler e se familiarizar com a escrita. (Diário do Nordeste. Caderno 3. 20/03/2006)
Conforme o que acredita Arievaldo Viana, os versos em cordel são mais fáceis de serem memorizados, devido à rima agradável. Por isso, além de promover a leitura, o trabalho educativo com os cordéis se estende para outros tipos de conhecimento.
Arievaldo se destaca por apresentar um célebre projeto dos cordéis em sala de aula, o qual existe há mais de cinco anos e foi pioneiro na cidade de Canindé, depois alguns municípios de outros estados do Brasil, os quais aderiram ao projeto de Arievaldo e já o estão desenvolvendo.
Outro projeto, bastante discutido foi o que aconteceu na zona rural da cidade de São Gonçalo do Amarante/Ce, com a professora Francisca das Chagas, da Escola de Ensino Fundamental João Pinto Magalhães, intitulado "Rimas que encantam", discutido por Denise Pellegrini, a qual ensinou seus alunos a utilizar o conhecimento regional (cordel) para melhorar a leitura e escrita, cabendo frisar que a referida professora com esse trabalho que fez em sala foi merecedora do prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita.
Conforme Francisca das Chagas relatou, o projeto teve como objetivo maior a informação, onde se pesquisaram vários autores de cordéis, a definição, alguns poemas, dentre os quais se destacou Patativa do Assaré, donde os alunos recitaram e copiaram alguns poemas dele.
Ainda em relação, ao Projeto da professora Francisca das Chagas, conforme Denise Pellegrini ressaltou a professora referida de inicio estava um pouco apreensiva, porém com o desenrolar do projeto, percebia-se o interesse dos alunos pelo Cordel.
Ao analisar, o artigo "Cordel para iniciantes. E iniciados" de Joana Lira, a mesma relata os trabalhos apresentados pelas professoras Sandra Lúcia de Souza Menezes e Margaret Mota de Lima, do Instituto Educacional O Canarinho, de Fortaleza, as quais utilizaram do Cordel como meio incentivador para o aprendizado do aluno, as quais destacaram que a Literatura de Cordel foi por muitos anos a principal forma de veiculação de notícias em vários Estados do Nordeste e que com o tempo foi perdendo a importância e hoje, muitos estudantes desconhecem esse tipo de literatura.
Percebe-se que um professor ao utilizar da literatura de cordel e textos de Patativa do Assaré para quebrar, preconceitos da arte literária, mostrando aos alunos que a língua popular muitas vezes é ridicularizada, porque o povo é discriminado, irá fazer com que os alunos descubram a rega gramatical desses versos, trabalhando assim a literatura e a linguagem, fazendo com que os mesmos redescubram um linguagem rica em rimas e versos, desmoronando assim o pensamento de que certo é só o que está na mídia.
Pois bem. É necessário partir da idéia básica de que o Cordel em si, trata-se de um texto literário de suma potencial de produzir, o qual não se origina obrigatoriamente de uma necessidade prática – não constitui uma resposta a uma solicitação imediata e, por isso mesmo, se constitui num exercício de liberdade lingüística como nenhum outro uso que se consegue ser.
Assim, à Escola, em geral, e ao Ensino Médio, em particular, devem injetar a Literatura de Cordel no ensino de Literatura, porque só assim o aluno conseguirá perceber e exercitar as possibilidades mais remotas e imprevistas a que a sua Língua pode remeter.
Na verdade, percebe-se que o que fora discutido acima, trata-se de opiniões que foram ratificadas por pessoas que estudaram a fundo o tema, verifica-se, que as escolas de hoje, estão querendo se adaptarem ao novo estilo de ensinar, compreendendo os valores e etnias dessa geração e quais são os meios que se prendam à atenção dela. Sabe-se, ainda que há muito a melhorar, mas os erros, as perspectivas foram apresentadas, como aqui mesmo fora estudado, e corroborado por diversos projetos que injetaram o cordel no ensino de literatura.
A Literatura de Cordel, enquanto veículo do imaginário popular refaz os caminhos enviesados do olhar matuto, reconstitui a maneira do sertanejo reagir ao mundo e, mais do que isso, deixa pistas do sistema complexo sobre o qual se edifica seu sentimento de contestação. Manifestação artística viva em sintonia estreita com visão popular, a Literatura de Cordel oferece aos pesquisadores um espaço sempre aberto de reflexão sobre uma maneira peculiar, por vezes contraditória, mas não menos preciosa, de se pensar o mundo e de afirmar a identidade, traçando caminhos de subversão e de liberdade, protesto, convertendo o espaço poético numa arena de luta. É que o povo sofrido, alimentado por sentimentos de inferioridade, constrói suas próprias maneira de dar sentido a uma existência sofrida e de recuperar um pouco da dignidade ofendida, e de negação da realidade na qual o povo se vinga do opressor, a Literatura de Cordel se oferece para a Literatura de uma forma geral como veiculo da revolta artística elaborada, dando à ficção a potencialidade da luta e da subversão.
As atividades permitirão aos professores a avaliação individual já que as produções são independentes, além de avaliar o interesse, participação e envolvimento dos alunos durante o projeto.
Para ampliar o conhecimento
1 - A origem da literatura de cordel
Do romanceiro popular português originou-se a literatura de cordel começou a ser divulgada nos séculos XVI e XVII, trazida pelos colonos portugueses cuja venda era privilégio dos cegos . A partir do século XIX o romanceiro nordestino tornou-se independente, com característica própria, esse nome surgiu a partir de um cordel ou barbante em que os folhetos eram pendurados em exposição. Na origem, a literatura de cordel se liga à divulgação de histórias tradicionais, narrativas de épocas passadas que a memória popular conservou e transmitiu. Essas narrativas enquadram-se na categoria de romance de cavalaria, amor, guerras, viagem ou conquista marítimas. Mais tarde apareceram no mesmo tipo de poesia a descrição de fatos recentes e de acontecimentos sociais contemporâneos que prendiam a atenção da população.
Na Espanha, o mesmo tipo de literatura popular era chamada de " pliegos sueltos ", o corresponde em Portugal, às folhas volantes, folhas soltas ou literatura de cordel. No México, na Argentina, na Nicarágua e no Peru há o corrido , compõe-se em geral de dois grupos: os de romance tradicionais, com temas universais de amor e morte, classificados em profanos, religiosos e infantis; e os corridos nacionales , com assuntos patrióticos e políticos estes últimos os menos cantados.
Na França, o mesmo fenômeno corresponde á " litteratue de colportage ", literatura volante , mais dirigida ao meio rural, através do " occasionnels" , enquanto nas cidades prevalecia o " canard ".
Na Inglaterra os folhetos são semelhantes aos nossos eram correntes e denominados " cockes" ou "catchpennies", em relação aos romances e estórias imaginarias; e " broadsiddes " relativos às folhas volantes sobres fatos históricos , que equivaliam aos nossos folhetos de motivação circunstaciais . Os chamados folhetos de época ou " acontecidos ".
Na Alemanha, os folhetos tinham formato tipógrafos em quarto e oitavo de quatro e a dezesseis folhas. Editados em tipografias avulsas, destinavam-se ao grande público, sendo vendidos em mercados, feiras, tabernas, diante das igrejas e universidades. Suas capas (exatamente como ainda hoje , no Nordeste brasileiro) traziam xilogravuras, fixando aspectos do tema tratado. Embora a maioria dos folhetos germânicos fosse em prosa, outros apareciam em versos, inclusive indicação, no frontispício, para ser cantado com melodia conhecida da época.
No Brasil não mais se discute a literatura de cordel, nos chegou através dos colonizadores lusos, em " folhas soltas " ou " manuscritos ". Só mais tarde, com o aparecimento das pequenas tipografias, fins do século passado a literatura de cordel se fincou raízes sobretudo no Nordeste justamente para provar que é uma literatura bem popular, surgem também os chamados repentistas, que criam as letras na hora, de acordo com o pedido da platéia que lhes dão o assunto, e os cantadores obedecem geralmente cantam em dupla, e esses tem revelado os escândalos sociais e políticos e econômicos que nos últimos anos têm nos castigados.O cordel uma das peculiaridades da cultura regional.
A custa de muita luta, tanto os que cantam como os que escrevem o cordel, tem sobrevivido. Graças à vontade de fazer algo diferente o cordel tem rompido barreiras que pareciam intransponíveis, para poder ocupar o lugar que esta sendo habitado por coisas que não são do nosso pais.
2 - Literatura de Cordel
Os folhetos de cordel brasileiro, com seus múltiplos temas e expressiva forma de composição poética, têm sido objetos de estudo para pesquisadores do nosso país e também estrangeiros. Os textos de cordel poeticamente estruturados tendo como a sextilha como estrofe básica, são ilustrados com xilogravuras , chichês de cartões postais, fotografias, desenhos e outras composições gráficas e oferecem farto material para pesquisas ensejando variadas interpretações que remetem para o contexto sócio-cultural em que se inserem cada texto. Assim, os folhetos sobre os mais diversos temas, tradicionais ou contemporâneos são versejados por inúmeros poetas populares, estabelecendo-se relações icônico-textuais significativas, ou outras intratextuais.
Como se sabe , esta riquíssima e sugestiva expressão literária popular, que encontrou campo fértil campo no Nordeste brasileiro, só pode ser bem compreendido dentro do contexto cultural mais amplo, envolvendo suas origem européia ou orientais, até a produção atual, de modo a se ter uma visão mais ampla dos seus temas e formas de expressão e das transformações por que vêm passando, no nível da estrutura da narrativa.
Literatura de cordel é o nome desse meio de oferece literatura popular, originou-se no fato dos vendedores, dependurarem pequenos livrinho em barbantes ou cordões, geralmente confeccionados nos tamanhos de 11x15cm ou 11x17 cm e, de papel de baixa qualidade, e tinham suas capas com ilustrada com xilogravuras na década de 20e anos 30 e 50, surgiam as capas com fotos de estrelas do cinemas americano. Atualmente, ainda o mesmo formato, embora possam ser encontradas em outros tamanhos. Quanto à impresão substituindo a tipografia do passado, hoje também são usadas as fotocópias, é comum encontrar os vendedores colocá-los em cima de caixotes ou esteiras, nas calçadas. Esses vendedores também costumam aparecer em feiras semanais. A literatura de cordel esta dividida em três tipos: folhetos que contenham oito páginas, romance que possuem de dezesseis a vinte e quatro páginas; e estórias de trintas e dois a quarenta e oito páginas.
De um modo geral, sua apresentação gráfica é bastante modesta, pois o preço é baixo, uma vez que se destina a camada mais baixa da população.
Esses livros narram os mais diversos assuntos, desde estórias de amor, as aventuras de cangaceiros e acontecimentos importantes, na tentativa de melhor vender sua mercadoria, costuma o vendedor ler em voz alta o conteúdo do livro para depois oferecê-lo aos prováveis compradores, os temas apresentados nesses livros aparecem em prosa ou em versos, sendo bastante comum esta forma, conforme também descreve em estrofes, Francisco Ferreira Filho Diniz em seu cordel " o que é literatura de cordel?" ( ver anexo)
3 - Xilogravura
A xilogravura – arte de gravar em madeira – é de provável origem chinesa, sendo conhecida desde o século VI. No Ocidente, ela já se afirma durante a Idade Média, através das iluminuras e confecções de baralhos. Mas até ai, a xilogravura era apenas técnica de reprodução de cópias. Só mais tarde é que ela começa a ser valorizada como manifestação artística em si. No século XVIII, chega à Europa nova concepção revolucionária da xilografia: as gravuras japonesas a cores. Processo que só se desenvolveu no Ocidente a partir do século XX. Hoje, já se usam até 92 cores e nuanças em uma só gravura.
Aspecto de grande importância do Cordel é, sem dúvida, a xilogravura de suas capas. Sabe-se que o cordel antigo não trazia xilogravuras. Suas capas eram ilustradas apenas com vinhetas – pobres arabescos usados nas pequenas tipografias do interior nordestino. A partir da década de trinta, surgiram folhetos trazendo nas capas clichês de artistas de cinema, fotos de postais, retratos de Padre Cícero e Lampião. As xilogravuras ou "tacos", como ainda hoje preferem chamar os artistas populares, usando madeiras leves, como umburana, pinho, cedro, cajá.
Na xilogravura, a resistência – maior ou menor – da madeira sofre transformações. Criam-se na madeira novos veios, outra trama. Fibras nascentes vão compondo vãos e cortes abertos pala goiva. Essas fibras nevrálgicas – amalgamadas ao branco do papel – compõem com ele os ritmos das fibras insurgentes, a contrastar com o filamento negro ou colorido da impressão. Integrada ao papel, a cor negra adquire valores de especiais. O negrume e a coloração registram uma urdidura única, inexistente na natureza. As xilogravuras são ilustrações populares obtidas por gravuras talhadas em madeiras, muito difundidas no Nordeste e sempre associadas à Literatura de Cordel, uma vez que a partir do final do Século XIX passam a ser utilizadas na produção da capas dos folhetos.
Anteriormente, a xilogravura tinha uso considerado "menos nobre", como a confecção de rótulos de garrafas de cachaça e outros produtos. Sua grande popularidade veio com o cordel .
A origem da xilogravura nordestina até hoje é ignorada. Acredita-se que os missionários portugueses tenham ensinado sua técnica aos brasileiros, como uma atividade extra - catequese, partindo do principio religioso que defende a necessidade de ocupar as mãos para que a mente não fique livre, de maus pensamentos, ao pecado
4 - A estrutura da Métrica.
A evolução da literatura de cordel no Brasil não ocorreu de maneira harmoniosa. A oral, precursora da escrita, engatinhou penosamente em busca de forma estrutural. Os primeiros repentistas não tinham qualquer compromisso com a métrica e muito menos com o número de versos para compor as estrofes. Alguns versos alongavam-se inaceitavelmente, outros, demasiado breves. Todavia, o interlocutor respondia rimando a última palavra do seu verso com a última do parceiro, mais ou menos assim:
Repentista A - O cantor que pegá-lo de revés Com o talento que tenho no meu braço... Repentista B - Dou-lhe tanto que deixo num bagaço Só de murro, de soco e ponta-pés.
5 - Parcela ou verso Parcela ou Verso de quatro sílabas
A parcela ou verso de quatro sílabas é o mais curto conhecido na literatura de cordel. A própria palavra não pode ser longa do contrário ela sozinha ultrapassaria os limites da métrica e o verso sairia de pé quebrado. A literatura de cordel por ser lida e ou cantada é muito exigente com questão da métrica. Vejamos uma estrofe de versos de quatro sílabas, ou parcelas.
Eu sou judeu Para o duelo Cantar martelo Queria eu O pau bateu Subiu poeira Aqui na feira Não fica Queimo a semente Da bananeira.
Quando os repentistas cantavam parcela (sim, cantavam, porque esta modalidade caiu em desuso), os versos brotavam numa seqüência alucinante, cada um querendo confundir mais rápida mente o oponente. Esta modalidade é pré-galdiniana, não se conhecendo seu autor. 6. Verso de cinco sílabas
Já a parcela de cinco sílabas é mais recente, e não há registro de sua presença antes de Firmino Teixeira do Amaral, cunhado de Aderaldo Ferreira de Araújo, o Cego Aderaldo. A parcela de cinco sílabas era cantada também em ritmo acelerado, exigindo do repentista, grande rapidez de raciocínio. Na peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum, da autoria de Firmino Teixeira do Amaral, encontramos estas estrofes:
Pretinho: no sertão eu peguei um cego malcriado danei-lhe o machado caiu, eu sangrei o couro tirei em regra de escala espichei numa sala puxei para um beco depois dele seco fiz dele uma mala Cego: Negro, és monturo Molambo rasgado Cachimbo apagado Recanto de muro Negro sem futuro Perna de tição Boca de porão Beiço de gamela Venta de moela Moleque ladrão
Estas modalidades, entretanto, não foram as primeiras na literatura de cordel. Ao contrário, ela vieram quase um século depois das primeiras manifestações mais rudimentares que permitiram, inicialmente, as estrofes de quatro versos de sete sílabas. 7. Estrofes de quatro versos de sete sílabas
O Mergulhão quando canta Incha a veia do pescoço Parece um cachorro velho Quando está roendo osso. Não tenho medo do homem Nem do ronco que ele tem Um besouro também ronca Vou olhar não é ninguém
A evolução desta modalidade se deu naturalmente. Vejamos a última estrofe de quatro versos acrescida de mais dois, formando a nossa atual e definitiva sextilha:
Meu avô tinha um ditado meu pai dizia também: não tenho medo do homem nem do ronco que ele tem um besouro também ronca vou olhar não é ninguém.
8. Sextilhas
Agora, de posse da técnica de fazer sextilhas, e uma vez consagradas pelos autores, esta modalidade passou a ser a mais indicada para os longos poemas romanceados, principalmente a do exemplo acima, com o segundo, o quarto e o sexto versos rimando entre si, deixando órfãos o primeiro, terceiro e quinto versos. É a modalidade mais rica, obrigatória no início de qualquer combate poético, nas longas narrativas e nos folhetos de época. Também muito usadas nas sátiras políticas e sociais. É uma modalidade que apresenta nada menos de cinco estilos: aberto, fechado, solto, corrido e desencontrado. Vamos, pois, aos cinco exemplos:
Aberto: Felicidade, és um sol dourando a manhã da vida, és como um pingo de orvalho molhando a flor ressequida és a esperança fagueira da mocidade florida.
Fechado: Da inspiração mais pura, no mais luminoso dia, porque cordel é cultura nasceu nossa Academia o céu da literatura, a casa da poesia.
Solto: Não sou rico nem sou pobre não sou velho nem sou moço não sou ouro nem sou cobre sou feito de carne e osso sou ligeiro como o gato corro mais do que o vento.
Corrido: Sou poeta repentista Foi Deus quem me fez artista Ninguém toma o meu fadário O meu valor é antigo Morrendo eu levo comigo E ninguém faz inventário
Desencontrado: Meu pai foi homem de bem Honesto e trabalhador Nunca negou um favor Ao semelhante, também Nunca falou de ninguém Era um homem de valor.
9. Setilhas
Uma prova de que as setilhas são uma modalidade relativamente recente está na ausência quase completa delas na grande produção de Leandro Gomes de Barros. Sim, porque pela beleza rítmica que essas estrofes oferecem ao declamador, os grandes poetas não conseguiram fugir à tentação de produzi-las. Para alguns, as setilhas, estrofes de sete versos de sete sílabas, foram criadas por José Galdino da Silva Duda, 1866 - 1931. A verdade é que o autor mais rico nessas composições, talvez por se tratar do maior humorista da literatura, de cordel, foi José Pacheco da Rocha, 1890 - 1954. No poema A CHEGADA DE LAMPIÃO NO INFERNO, do inventivo poeta pernambucano, encontram estas estrofes:
Vamos tratar da chegada quando Lampião bateu um moleque ainda moço no portão apareceu. - Quem é você, Cavalheiro - - Moleque, sou cangaceiro - Lampião lhe respondeu. - Não senhor - Satanás, disse vá dizer que vá embora só me chega gente ruim eu ando muito caipora e já estou com vontade de mandar mais da metade dos que tem aqui pra fora. Moleque não, sou vigia e não sou o seu parceiro e você aqui não entra sem dizer quem é primeiro - Moleque, abra o portão saiba que sou Lampião assombro do mundo inteiro.
Excelente para ser cantada nas reuniões festivas ou nas feiras, esta modalidade é, ainda hoje, muito usada pelos cordelistas. Esta modalidade é, também, usada em vários estilos de mourão, que pode ser cantado em seis, sete, oito e dez versos de sete sílabas.
Exemplos:
Cantador A - Eu sou maior do que Deus maior do que Deus eu sou Cantador B - Você diz que não se engana mas agora se enganou Cantador A - Eu não estou enganado eu sou maior no pecado porque Deus nunca pecou. Ou com todos os versos rimados, a exemplo das sextilhas explicadas antes: Cantador A - Este verso não é seu você tomou emprestado Cantador B - Não reclame o verso meu que é certo e metrificado Cantador A - Esse verso é de Noberto Se fosse seu estava certo como não é está errado.
10. Oito pés de quadrão ou Oitavas
Os oito pés de quadrão, ou simplesmente oitavas, são estrofes de oito versos de sete sílabas. A diferença dessas estrofes de cunho popular para as de linha clássica é apenas a disposição das rimas. Vejam como o primeiro e o quinto versos desta oitava de Casimiro de Abreu (1837 - 1860) são órfãos:
Como são belos os dias Do despontar da existência - Respira a alma inocência Como perfumes a flor; O mar - é lago sereno, O Céu - Um manto azulado, O mundo - um sonho dourado, A vida um hino de amor.
Na estrofe popular aparecem os primeiros três versos rimados entre si; também o quinto, o sexto e o sétimo, e finalmente o quarto com o último, não havendo, portanto um único verso órfão. Assim:
Diga Deus Onipotente Se é você, realmente Que autoriza, que consente No meu sertão tanta dor Se o povo imerso no lodo apregoa com denodo que seu coração é todo De luz, de paz e de amor.
11. Décimas
As décimas, dez versos de sete sílabas, são, desde sua criação no limiar do nosso século, as mais usadas pelos poetas de bancada e pelos repentistas. Excelentes para glosar motes, esta modalidade só perde para as sextilhas, especialmente escolhidas para narrativas de longo fôlego. Ainda assim, entre muitos exemplos, as décimas foram escolhidas por Leandro Gomes de Barros para compor o longo poema épico de cavalaria A BATALHA DE OLIVEIROS COM FERRABRAZ, baseado na obra do imperador francês Carlos Magno:
Eram doze cavalheiros Homens muito valorosos Destemidos, corajosos Entre todos os Guerreiros Como bem fosse Oliveiros um dos pares de fiança Que sua perseverança Venceu todos os infiéis Eram uns leões cruéis Os doze pares de França. 12. Martelo Agalopado
O Martelo agalopado, estrofe dez versos de dez sílabas, é uma das modalidades mais antigas na literatura de cordel. Criada pelo professor Jaime Pedro Martelo (1665 - 1727), as martelianas não tinham, como o nosso martelo agalopado, compromisso com o número de versos para a composição das estrofes. Alongava-se com rimas pares, até completar o sentido desejado. Como exemplo, vejamos estes alexandrinos:
"Visitando Deus a Adão no Paraíso achou-o triste por viver no abandono, fê-lo dormir logo um pesado sono e lhe arrancou uma costela, de improviso estando fresca ficou Deus indeciso e a pôs ao Sol para secar um momento mas por causa, talvez dum esquecimento chegou um cachorro e a carregou, nessa hora furioso Deus ficou com a grande ousadia do animal que lhe furtara o bom material feito para a construção da mulher, estou certo, acredite quem quiser eu não sou mentiroso nem vilão, nessa hora correu Deus atrás do cão e não podendo alcançar-lhe e dá-lhe cabo cortou-lhe simplesmente o meio rabo e enquanto Adão estava na trevas Deus pegou o rabo do cão e fez a Eva."
Com tamanha irresponsabilidade, totalmente inaceitável na literatura de cordel, o estilo mergulhou, desde o desaparecimento do professor Jaime Pedro Martelo em 1727, em completo esquecimento, até que em 1898, José Galdino da Silva Duda dava à luz feição definitiva ao nosso atual martelo agalopado, tão querido quanto lindo. Pedro Bandeira não nos deixa mentir:
Admiro demais o ser humano que é gerado num ventre feminino envolvido nas dobras do destino e calibrado nas leis do Soberano quando faltam três meses para um ano a mãe pega a sentir uma moleza entre gritos lamúrias e esperteza nasce o homem e aos poucos vai crescendo e quando aprende a falar já é dizendo: quanto é grande o poder da Natureza.
Há, também, o martelo de seis versos, como sempre, refinado, conforme veremos nesta estrofe:
Tenho agora um martelo de dez quinas fabricado por mãos misteriosas enfeitado de pedras cristalinas das mais raras, bastante preciosas, foi achado nas águas saturninas pelas musas do céu, filhas ditosas. 13. Galope à Beira Mar
Com versos de onze sílabas, portanto mais longos do que os de martelo agalopado, são os de galope à beira mar, como estes da autoria de Joaquim Filho:
Falei do sopapo das águas barrentas de uma cigana de corpo bem feito da Lua, bonita brilhando no leito da escuridão das nuvens cinzentas do eco do grande furor das tormentas da água da chuva que vem pra molhar do baile das ondas, que lindo bailar da areia branca, da cor de cambraia da bela paisagem na beira da praia assim é galope na beira do mar.
Logicamente que há o galope alagoano , à feição de martelo agalopado, com dez versos de dez sílabas cuja diferença única é a obrigatoriedade do mote: "Nos dez pés de galope alagoano". 14. Meia Quadra
Outra interessante modalidade é a Meia Quadra ou versos de quinze sílabas. Não sabemos porque se convencionou chamar de meia quadra, quando poderia, muito bem, se chamar de quadra e meia ou até de quadra dupla. As rimas são emparelhadas e os versos, assim compostos:
Quando eu disser dado é dedo você diga dedo é dado Quando eu disser gado é boi você diga boi é gado Quando eu disser lado é banda você diga banda é lado Quando eu disser pão é massa você diga massa é pão Quando eu disser não é sim você diga sim é não Quando eu disser veia é sangue você diga sangue é veia Quando eu disser meia quadra você diga quadra e meia Quando eu disser quadra e meia você diga meio quadrão.
A classificação da literatura de cordel há sido objeto da preocupação dos chamados iniciados, pesquisadores e estudiosos. As classificações mais conhecidas são a francesa de Robert Mandrou, a espanhola de Julio Caro Baroja, as brasileiras de Ariano Suassuna, Cavalcanti Proença, Orígenes Lessa, Roberto Câmara Benjamin e Carlos Alberto Azevedo. Mas a classificação autenticamente popular nasceu da boca dos próprios poetas. No limiar do presente século, quando já brilhava intensamente à luz de Leandro Gomes de Barros, fluía abundante o estro de Silvino Pirauá e jorrava preciosa a veia poética de José Galdino da Silva Duda. Esses enviados especiais passaram a dominar com facilidade a rima escorregadia, amoldando, também, no corpo da estrofe o verso rebelde. Era o início de uma literatura tipicamente nordestina e por extensão, brasileira, não havendo mais, nos nossos dias, qualquer vestígio da herança peninsular.
Atualmente a literatura de cordel é escrita em composições que vão desde os versos de quatro ou cinco sílabas ao grande alexandrino. Até mesmo os princípios conservadores defendidos pelos nossos autores ortodoxos referem-se a uma tradição brasileira e não portuguesa ou espanhola. Os textos dos autores contemporâneos, apresentam um cuidado especial com a uniformização ortográfica, com o primor das rimas, com a beleza rítmica e com a preciosidade sonora.
15. As diferenças entre repente, literatura de cordel e embolada.
Repente: no Brasil, a tradição medieval ibérica dos trovadores deu origem aos cantadores – ou seja, poetas populares que vão de região em região, com a viola nas costas para cantar os seus versos. Eles aparecem nas formas da trova gaúcha, do calango (Minas Gerais), do cururu (São Paulo), do samba de roda (Rio de Janeiro) e do repente nordestino. Ao contrário dos outros, esse ultimo se caracteriza pelo improviso – os cantadores fazem os versos "de repente", em um desafio com outro cantador, não importa a beleza da voz ou afinação o que vale é o ritmo e a agilidade mental que permita encurralar o adversário apenas com a força do discurso.
A métrica do repente varia, bem como a organização dos versos: temos a sextilha (estrofe de seis versos, em que o primeiro rima com o terceiro e o quinto, o segundo rima com o quarto e sexto), a sepetilha (sete versos em que o primeiro e o terceiro são livres, o segundo rima com o quarto e o sétimo e o quinto rima com o sexto) e variações mais complexas com o martelo, o martelo alagoano, o galope beira mar e tantas outras. O instrumento desses improvisos cantados também variam: daí que o gênero pode ser subdivididos em emboladas (na qual o cantador toca pandeiro ou ganzá), o aboio (apenas com a voz) e a cantoria de viola.
Cordel: A literatura de cordel é assim chamada pela forma como são vendidos os folhetos pendurados em barbantes (cordões) nas feiras, mercados, praças e bancas de jornais, principalmente nas cidades do interior e nos subúrbios das grandes cidades. Essa denominação foi dada pelos intelectuais e é como aparece em alguns dicionários. O povo se refere a literatura de cordel apenas como folheto.
Embolada: Canto geralmente improvisado com refrão fixo para o desafio de dois emboladores que se "enfrentam" de maneira semelhante aos repentistas da viola – a diferença é que, na embolada, o instrumento é o pandeiro. Muito comum no litoral nordestino. "A briga" se dá em forma de sextilha. Também é comum um único embolador se apresentar para uma roda de curiosos – neste caso, o poeta usa seus versos para satirizar a platéia, mas sem agredi-la, e pedir dinheiro.
"A história de Joana" Preste atenção, amigo Na história que eu vou contar Não aconteceu comigo Mas você pode se identificar Trata-se de um amor não correspondido Uma paixão de matar... Era uma vez uma menina Seu nome era Joana Por todos era querida Menos pelo menino que ama Ela muito sofria Porém ele não a correspondia Ela fazia de tudo Mas ele não a notava Suas amigas diziam para esquecer O menino que tanto amava Mas ela não conseguia Tirá-lo do coração Toda vez que o via Suspirava de emoção Ele a ignorava E ela morria de paixão E um dia então Ela resolveu se declarar Falar pra ele quanto o amava Já não agüentava mais se calar Foi cheia de esperança Se ele quisesse namorar. Ficar Pelo menos tentar Para ver no que dá Chegou acanhada A vergonha teve que engolir Quando ela terminou Ele postou-se a rir E para todos falou "Olhem só essa garota O que veio me dizer Que me ama imensamente Ora, tenho mais o que fazer Saia logo daqui Posso ter melhores que você" Todos riram dela E Joana começou a chorar Foi saindo de fininho Andando bem devagar Ela queria para sempre Aquela cena apagar Mas não conseguiu esquecer A humilhação que passou Um ódio começou a nascer E então ela se vingou Uma raiva enorme tomou conta No lugar daquele amor No outro dia, no intervalo Todo mundo se calou Quando ela apareceu Uma arma sacou E apontara para Mateus O menino que tanto amou Aos prantos começou a gritar Estavam todos espantados Não sabiam o que falar Ela, então, começou a se pronunciar Falou alto e claro e em claro tom Para que todos pudessem escutar Todos guardaram suas palavras As quais irei lhes relatar "Posso não ser o que você espera Mais sou muito mais do que merece Me arrependo por tê-lo amado tanto Um garoto que não vale uma lágrima do meu pranto Você me fez de idiota Eu, a menina que mais lhe amou Agora, olhe sua condição Sua vida está em minha mão" Mateus não sabia o que fazer Mais não teve tempo para pensar Joana não o perdoou. 16. A história da literatura de cordel no Nordeste
Os folhetos de cordel, com seus múltiplos temas e como se sabe esta riquíssima e sugestiva expressão literária popular que se encontrou fértil campo no nordeste brasileiro, espirada na literatura francesa Colportage, nos romances e pliegos sueltos hibéricos e na própria literatura de cordel portuguesa a nossa de literatura de folhetos (ou de cordel) nasceu e desenvolveu-se no nordeste brasileiro, cantando as sagas e a sabedoria do povo sertanejo. Atualmente, esta manifestação popular pode ser encontrada em diversos pontos do país, sempre incentivada pela comunidade nordestina.
O primeiro folheto que se tem noticia foi publicado na Paraíba por Leandro Gomes de Barros, em 1893, acredita-se que outros poetas tenham publicado antes, como Silvino Pirauá de Lima, mas a literatura de cordel começou mesmo a se popularizar no inicio deste século. As primeiras tipografias se encontravam no Recife e logo surgiram outras na Paraíba, na Capital e em Guarabira. João Melquiades da Silva, de Bananeiras, é um dos primeiros poetas populares a publicar na tipografia popular Editor, em João Pessoa.
Contrariando a austera do alto grau de analfabetismo, a popularização da Literatura de Cordel no Nordeste se deu mais pelo esforço pessoal dos poetas cordelistas, fora dos círculos culturais acadêmicos, contando suas histórias nas feiras e praças, muitas vezes ao lado de musicas. Os folhetos eram expostos em barbantes, ou amontuados no chão, despertando a atenção do matuto que se acostumou a ouvir os temas da literatura popular de cordel em suas idas às feiras, verdadeiras festas para o povo do sertão, nas quais podiam, além de fazer compras e vender produtos, divertir-se e se inteirar dos assuntos políticos e sociais.
Pode-se falar em Literatura de Cordel como um conjunto de autores, obras e publico. O poeta cordelista, na maioria das vezes de origem humilde e proveniente do meio rural, migrava para os grandes centros urbanos onde passava a tirar seu sustento da venda dos folhetos, chegando, algumas vezes, a funções de tipógrafo e editor. Neste contexto, ele se tornava verdadeiro mediador das concepções das classes populares nordestinas, já que compartilhava a mesma ideologia e valores de seu público.
Os folhetos, confeccionados em sua maioria no tamanho 15 a 17cm x 11cm e, em geral, impresso em papel de baixa qualidade, tinham suas capas ilustradas com xilogravuras na década de 20, em substituição as vinhetas. Já nos anos 30 a 50, surgiram as capas com fotos de estrelas de cinema americano. Atualmente ainda mantém o mesmo formato, porém são encontrados outros maiores. Quanto à impressão, substituído a tipografia do passado, hoje são usadas as fotocópias.
Os temas da Literatura de Cordel são muito estudados por folcloristas, sociólogos e antropólogos que chegam a apresentar conclusões polemicas e algumas vezes contraditórias quanto a sua classificação. Detalhes a parte, quanto a varias propostas, os folhetos se dividem entre os assuntos descritivos e os narrativos. È no primeiro grupo que estão incluídos os folhetos de conselhos, eras, corrupção, profecias e de discussão, que guardam um certo parentesco em si, por encerrem uma mensagem moralista freqüentemente ligada a uma ética e a uma sabedoria sertaneja.
Nesta área multiplica-se as histórias que trazem como pano de fundo a vida dura do campo cheia de sofrimentos, mais alheia aos desmartelos do mundo moderno e urbano. Também se encaixam nos folhetos descritivos as pelejas entre cantadores e poetas, as personalidades da cidade e da política (muitas vezes encomendadas pelos próprios políticos em época de eleição), os temas de louvação ou critica, os religiosos contando preconceitos e virtudes católicas, as biografias ou milagres dos santos e de figuras como Padre Cícero e Frei Damião. Há ainda os de gracejos de acontecimentos reais e imaginários, de bravura e valentia como os feitos de Lampião, Antonio Silvino e Pedro Malasarte, entre outros que a literatura popular transformam bandidos em heróis.
As características gráficas e temáticas dos folhetos podem variar de acordo com o deslocamento da área de atuação do poeta que muitas vezes se depara com um publico de concepção e comportamento diferente do matuto nordestino.
Ao falar de literatura de cordel no nordeste não se pode esquecer de Antonio Gonçalves da Silva, conhecido como Patativa do Assaré, referencia no município em que nasceu. Analfabeto "sem saber as letras onde mora", como diz num de seus poemas, sua projeção em todo Brasil se iniciou na década de 50, a partir da regravação de "Triste Partida", toada de repente gravada por Luis Gonzaga (ver anexo).
Sua imaginação poética serviu vassala a denunciar injustiças sociais, propagando sempre a consciência e a perseverança do povo nordestino que sobrevive e dá sinais de bravura ao resistir às condições climáticas e políticas desfavoráveis. A esse fato se refere à estrofe da música Cabra da Peste.
"Eu sou de uma terra que o povo padece Mas não esmorece e procura vencer. Da terra querida, que alinda cabocla De riso na boca zomba no sofrê Não nego meu sangue, não nego meu nome. Olho para a fome, pergunto: que há? Eu sou brasileiro, filho do Nordeste, Sou cabra da Peste, sou do Ceará."
Dentre os grandes nomes da xilogravura nordestina não se pode deixar de falar em um gênio que é o DILA- José Soares da Silva, residi em Caruaru-PE, onde estalou uma rústica oficina gráfica para imprimir os seus folhetos. É um dos mais respeitados xilogravura do nordeste brasileiro, trabalhando com sua arte com lâmina de barbear em pedaços de madeiras em pedaços de madeiras umburana. No qual fabrica capa de cordéis ate rótulos de garrafas de aguardente e outros produtos. É um dos poucos que, alem da madeira, utiliza a borracha para talhar as xilogravuras, alem de seu local de trabalho, transformou –se num ponto de atração turística.
REFERENCIAL TEÓRICO:
ABAURRE, Maria Luiza M; PONTARA, Marcela, Literatura Brasileira: tempos leitores e leituras, volume único, São Paulo, editora moderna, 2005. ABAURRE, Maria Luiz e PONTORA, Marcela. Literatura Brasileira, tempos leitores e leituras. Ed. Moderna. Ensino Médio. ABLC - Academia Brasileira de Cordel . Academia Brasileira de Cordel, Gonçalo Ferreira da Silva, Literatura Brasileira, Literatura popular, Duelo de Repentistas. www.ablc.com.br CORDEL,Literatura de. Disponível em: www.guiape.com.br/culturais/literatura de cordel.html. Acesso 28/09/2006 . Diário do Nordeste – caderno 3 -20 de março 2006. DUARTE, Marcelo. O Guia dos Curiosos. Língua Portuguesa. São Paulo. Pand 12003. FERREIRA, Mauro. Entre palavras, nova edição/ 2ª. Edição - São Paulo: Editora FTD 2006.(coleção entres palavras). FREIRE, Paulo, Educação e Mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985. 77p. GERIN, Júlia; PORTO, Márcia Flamia; NASCIMENTO, Rubi Rachel. Volume integrado, 1; 5ºe 6º séries Língua Portuguesa; Educação Jovens e Adultos, Curitiba: Editora Educarte,2006. LIRA, Joana. Cordel para iniciantes e iniciados. Mundo Jovem numero 335 abril 2003. NICOLAS, José de. Literatura brasileira das origens aos nossos dias; 15ª edição, São Paulo, Editora Scipione, 1969. BARSA, Enciclopédia. ENCYCLOPAEDIA BRITANNICA DO BRASIL PUBLICAÇÕES LTDA. Além de relatos de experiências de profissionais que divulgam seu trabalho na internet.
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