Bullying - Papel da escola

           

BullyingEm relação à escola, em primeiro lugar, deve conscientizar-se de que esse conflito relacional já é considerado um problema de saúde pública. Por isso, é preciso desenvolver um olhar mais observador tanto dos professores quanto dos demais profissionais ligados ao espaço escolar. Sendo assim, deve atentar-se para sinais de violência, procurando neutralizar os agressores, bem como assessorar as vítimas e transformar os espectadores em principais aliados.

Além disso, tomar algumas iniciativas preventivas do tipo: aumentar a supervisão na hora do recreio e intervalo; evitar em sala de aula menosprezo, apelidos, ou rejeição de alunos por qualquer que seja o motivo. Também pode-se promover debates sobre as várias formas de violência, respeito mútuo e a afetividade tendo como foco as relações humanas.

Mas tais assuntos precisam fazer parte da rotina da escola como ações atitudinais e não apenas conceituais. De nada valerá falar sobre a não-violência, se os próprios profissionais em educação usam de atos agressivos, verbais ou não, contra seus alunos. Ou seja, procurar evitar a velha política do “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”.

Segundo Aramis Lopes Neto, coordenador do programa de bullying da ABRAPIA, “não se pode admitir que os alunos sofram violências que lhes tragam danos físicos ou psicológicos, que testemunhem tais fatos e se calem para que não sejam também agredidos e acabem por achá-los banais ou, pior ainda, diante da omissão e tolerâncias dos adultos, adotem comportamentos agressivos”.

Infelizmente estamos vivendo uma época em que a violência se torna cada vez mais presente em todas as instituições escolares.
A violência escolar nas últimas décadas adquiriu crescente dimensão em todas as sociedades, o que a torna questão preocupante devido à grande incidência de sua manifestação em todos os níveis de escolaridade. (FANTE, 2005 p.20)

As práticas de violência, discriminação e preconceito, vivenciadas pelos alunos no cotidiano escolar, têm se apresentado como um grande desafio para os professores, equipe gestora e toda comunidade escolar. Essas práticas, muitas vezes, podem causar dificuldades na aprendizagem e causar traumas ao longo da vida.

Acredita-se, que a prevenção começa pelo conhecimento. É preciso que as escolas reconheçam a existência do bullying e, sobretudo, esteja consciente de seus prejuízos para a personalidade e o desenvolvimento socioeducacional dos alunos.

Ainda há um grande número de profissionais da educação que não sabem distinguir entre condutas de bullying ou outros tipos de violência, por não ter um preparo para identificar e desenvolver estratégias pedagógicas para enfrentar os problemas no ambiente escolar.

O despreparo dos professores ocorre porque, tradicionalmente, nos cursos de formação acadêmica e nos cursos de capacitação, são treinados com técnicas que unicamente os habilitam para o ensino de suas disciplinas, não sendo valorizada e necessidade de lidarem com o afeto e muito menos com os conflitos e com os sentimentos dos alunos. (FANTE 2005 p.68)

Os professores deveriam ser preparados para educar a emoção dos seus alunos. Porém, muitos professores têm dificuldades emocionais para lidar com os problemas de maus tratos ou de violência que ocorrem dentro da sala de aula, e não tendo capacidade de lidar com esses problemas e de oferecer uma reposta eficaz a situação, acabam reagindo com agressividade.

A escola precisa capacitar seus profissionais para a observação, para que os mesmos possam identificar, diagnosticar e saber intervir nas situações do bullying ou até mesmo aos encaminhamentos corretos, levando o tema à discussão com toda a comunidade escolar e traçar estratégias que sejam capazes de fazer frente ao mesmo.

De acordo com Pedra (2008), além de todo o esforço da equipe escolar frente ao bullying, é preciso contar com a ajuda de consultores externos, como especialistas no tema, psicólogo e assistentes sociais.

Cleo Fante (2005), comenta que, a conscientização e a aceitação de que o bullying ocorre com maior ou menor incidência, em todas as escolas do mundo, independente características “culturais, econômicas e sociais dos alunos”, são fatores decisivos para iniciativas no combate à violência no contexto escolar. Para desenvolver estratégias de intervenção e prevenção ao bullying em uma escola, é necessário que a comunidade escolar esteja consciente da existência do mesmo, sobretudo, das conseqüências relacionadas aos envolvidos, a esse tipo de comportamento.

Desta forma, percebe-se que é primordial sensibilizar e envolver toda a comunidade escolar na luta pela redução do comportamento bullying.

Gabriel Chalita (2008), salienta que algumas atitudes simples por parte da direção escolar, podem ajudar a reduzir os casos de bullying no ambiente escolar. É necessário que toda equipe escolar, desde o primeiro dia de aula, esclareça sobre o que é bullying, e que não será tolerado condutas do mesmo nas dependências da escola. Todos os alunos devem se comprometer a não praticá-lo e a comunicar a direção escolar sempre que presenciarem ou forem vítimas da conduta do bullying.

É essencial que os professores promovam debates sobre bullying nas salas de aula, fazendo com que o assunto seja bastante divulgado e assimilado pelos alunos. Estimular os estudantes a fazerem pesquisas sobre o tema na escola, para saber o que alunos, professores e funcionários pensam sobre o bullying e como acham que se deve lidar com esse assunto.

Sempre que ocorrer alguma situação de bullying, procurar lidar com ela diretamente, investigando os fatos, conversando com autores e vítimas. É relevante que os profissionais da educação interfiram diretamente nos grupos de alunos envolvidos sempre que for necessário para “romper a dinâmica” de bullying, orientando os alunos a sentarem em lugares previamente indicados, mantendo afastados os possíveis autores de suas vítimas.

O mesmo autor comenta que, é relevante que os professores incluam na rotina escolar de seus alunos, estratégias que amenizem as causas do bullying. A dramatização é uma “ferramenta excepcional’ para fazer crianças e jovens vivenciarem papéis. É essencial discutir sempre as experiências depois de dramatizadas. O trabalho com filmes e letras de músicas também permite uma reflexão crítica e significativa, com possibilidade de minimizar as manifestações de comportamentos agressivos.

De acordo com Pedra (2008), as atividades em salas de aula em forma de redação onde os alunos são estimulados a falar no anonimato sobre a sua vida na escola, ou seja, seu relacionamento com os colegas ajudará a romper o silêncio e possibilitará a expressão de emoções e sentimentos.

O mesmo autor comenta que, na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental é primordial trabalhar por meio de histórias ou fábulas que trabalhem o preconceito ou qualquer outra forma de exclusão e discriminação.

É essencial tanto a participação do professor quanto dos alunos. O professor de um lado tem o dever de transmitir o papel ético, problematizar valores e regras morais através da afetividade e racionalidade visando ao desenvolvimento moral e à socialização e os alunos o papel de entender e cooperar com as ações do professor. A escola, juntamente com os professores tem a função de trabalhar conteúdos relacionados aos valores, como o diálogo, o respeito, e a solidariedade.

Com o diálogo o professor faz com que os alunos agressores reflitam sobre suas atitudes agressivas e as consequências que podem gerar nos alunos agredidos. Fazendo-os refletir como deveria ser uma escola onde todos sentissem felizes, seguros e respeitados.
Ao trabalhar o respeito, tem como objetivo mostrar a diferença entre as pessoas, o respeito pelo ser humano independente de sua origem social, etnia, religião, sexo, opinião e cultura, bem como nas manifestações culturais, étnicas e religiosas. O respeito tem a condição necessária para o convívio social democrático.

Por mais que o professor seja presente e trabalhe com seus alunos o respeito mútuo, a justiça e a solidariedade, em sala de aula, é quase que impossível que não haja conflitos entre eles. Portanto, a escola deve estimular o ensino e o desenvolvimento de atitudes que valorizem a prática da tolerância e da solidariedade entre os alunos. O incentivo ao exercício da solidariedade é um fator motivador de mudanças, pois estimula a amizade, a cooperação e o companheirismo no ambiente escolar.

De acordo com Pedra (2008), há casos em que alunos praticantes de bullying se convertem em “alunos solidários”, passando a auxiliar seus colegas dentro e fora da sala de aula, em especial aqueles que outrora eram suas vítimas. Ou até mesmo as modificações na postura de alguns professores, que após reconhecerem as práticas do bullying decide mudar suas atitudes.

Como a escola deve denunciar os casos de Bullying?

Entende-se que, inicialmente os casos de bullying devem se resolvidos na escola, por meio de ações pedagógicas.

De acordo com Pedra (2008, p.110), quando a escola, não consegue solucionar o problema, “deve-se orientar o aluno agressor e aplicar a ele a pena prevista pelo regimento interno escolar, além de alertar seus pais ou responsáveis”.

Dependendo da gravidade do caso, deve-se encaminhá-lo diretamente ao Conselho Tutelar. Se houver lesão corporal, calúnia, injúria ou difamação, o pai ou responsável dever procurar uma delegacia de polícia para fazer boletim de ocorrência.

O autor, comenta que, é necessário sempre ter o cuidado para não expor crianças e adolescentes a situações constrangedoras no momento da revista pessoal. Se o aluno for menor de 12 anos, é preciso convocar um representante do Conselho Tutelar para dar os encaminhamentos legais. Se for maior de 12 anos, a polícia dever ser acionada para encaminhar o caso a Justiça.

Programas de Redução do Bullying no BrasiL

A mídia tem divulgado o tema bullying, principalmente após as tragédias ocorridas em inúmeras escolas de diversos países. Essas tragédias são resultantes dos sofrimentos das vítimas.

Segundo Pedra (2008, pg.56), já foram registradas no Brasil algumas tragédias em escolas tendo o bullying como causa principal, com envolvimento das vítimas que sofreram agressões. No interior de São Paulo um jovem atirou contra cinquenta pessoas durante o recreio da escola onde estudava, atingindo oito pessoas e em seguida se matou com um tiro na cabeça. Esse jovem era considerado gordo, pois estava acima do peso dos padrões estabelecidos pelo grupo. Era sempre ofendido, apelidado pejorativamente, e humilhado.

E que na cidade de Remanso, no interior baiano um jovem de dezessete anos protagonizou uma tragédia, após ser humilhado e ridicularizado na escola na frente dos colegas, foi até a casa de seu agressor um garoto de treze anos, e disparou um tiro em sua cabeça.

Após a tragédia retornou a escola e tentou matar uma professora de que não gostava, sendo impedido por uma funcionária, que foi atingida com tiros na cabeça. No bolso do adolescente foi encontrado um bilhete dizendo que queria matar mais de cem pessoas e ser reconhecido na história como o “terrorista suicida brasileiro”.

Segundo o diário web (outubro de 2009), na cidade de Fernandópolis a Vara de Infância e Juventude determinou que dois adolescentes entre quinze e dezesseis anos cumprissem medidas sócioeducativa por tempo indeterminado, por ter cometido condutas de bullying. O juiz determinou que a medida fosse cumprida em semiliberdade. Os adolescentes foram punidos por terem agredido fisicamente um estudante de dez anos no pátio da escola, desde então eles estão internados provisoriamente na Fundação Casa (Antiga Febem). Por não existir o termo bullyin juridicamente, eles foram punidos por agressão.

No Brasil, o tema violência tornou-se prioridade em todas as escolas, motivo pelos quais inúmeros projetos e programas antibullying estão sendo desenvolvidos, com o objetivo de diminuir a violência nas escolas.

Na cidade do Rio de Janeiro, a ABRAPIA, que é uma organização não governamental, no ano de 2002 e 2003, em parceria com a Petrobrás Social, juntamente com 11 escolas, desenvolveu o Programa de Redução do Comportamento Agressivo entre estudantes. O objetivo desse projeto era diagnosticar as situações de bullying entre alunos.

Atualmente o “O Observatório da Infância” vem ampliando o trabalho de divulgação dos direitos da criança e do adolescente, dando continuidade nos projetos da ABRAPIA, que paralisou seus trabalhos devido à falta de apoio financeiro.

Fante, desenvolveu O Programa Educar para a Paz, que foi implantado nas escolas de São José do Rio Preto, composto de estratégias psicopedagógicas e socioeducacionais que visam à intervenção e a prevenção da violência nas escolas, com foque específico na redução do bullying nas escolas.

De acordo com Pedra (2008), atualmente no Distrito Federal o Cemeobes implantou o Programa Educar para a Paz em duas escolas, sendo composta por profissionais voluntários das áreas de Educação, Saúde, Segurança Pública, Assistência Social e Conselho Tutelar.

Segundo a ABRAPIA, a implantação de um programa para prevenir e reduzir o bullying, para que obtenha resultados positivos, é necessário saber que não existem soluções simples para a resolução do bullying, pois ele é complexo e variável. Entretanto, a cooperação dos professores, alunos, gestores e pais, é uma das formas de tentar prevenir o bullying nas escolas.

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