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A Brincadeira e o Jogo na Educação Infantil - Paty FonteNa educação infantil, é difícil estabelecer um horário para a brincadeira e um horário para a aprendizagem. Hoje sabe-se que a criança aprende brincando. O mundo em que ela vive é descoberto através de jogos dos mais diversos tipos que vão dos mais simples de encaixe às mais curiosas brincadeiras folclóricas. O jogo, para a criança, é o exercício e a preparação para a vida adulta. É através das brincadeiras, seus movimentos, sua interação com os objetos e no espaço com outras crianças que ela desenvolve suas potencialidades, descobrindo várias habilidades. Os métodos de ensino foram a preocupação dos educadores durante anos. Não se dava praticamente nenhuma importância para a maneira em que o aluno assimilava os conteúdos e se a aprendizagem era realmente eficaz. Atualmente, a preocupação está em descobrir como a criança aprende. O professor pode usar uma estratégia de ensino excelente, na sua visão, mas se não estiver adequada ao modo de aprender da criança, de nada servirá. Toda criança gosta de brincar. Então, se a criança aprende brincando, por que então não ensinarmos da maneira que ela aprenda melhor, de uma forma prazerosa e, portanto, eficiente? A utilização de certos jogos e brincadeiras como facilitadores na aprendizagem, na educação infantil, são sem dúvida, a solução para se obter resultados positivos no processo de ensino – aprendizagem das crianças. Mas, é importante que se tenham bem definidos os objetivos que queremos alcançar quando trabalhamos como o lúdico, e ter cuidado também com as brincadeiras que vamos mediar, para que esta esteja ligada ao momento correto do desenvolvimento infantil. Como já sabemos, os brinquedos e as brincadeiras são fontes inesgotáveis de interação lúdica e afetiva. Para uma aprendizagem eficaz é preciso que o aluno construa o conhecimento, assimile os conteúdos. E jogo é um excelente recurso para facilitar a aprendizagem. Neste sentido, CARVALHO afirma que:
E acrescenta, mais adiante:
As ações com o jogo devem ser criadas e recriadas, para que sejam sempre uma nova descoberta, e sempre se transformem em um novo jogo, em uma nova forma de jogar. Quando brinca, a criança toma certa distância da vida cotidiana, entra em seu mundo imaginário e ilusório, não estando preocupada com a aquisição de conhecimento ou desenvolvimento de qualquer habilidade mental ou física. O que importa, neste caso, é o processo em si de brincar, algo que flui naturalmente, pois a única finalidade é o prazer, a alegria, a livre exploração do brinquedo. Diante dessas informações sobre o prazer de se aprender brincando, sobre a facilidade que o professor tem em conduzir uma aula, partindo da curiosidade dos alunos, atualmente, muitos educadores pensam que dinamizar as suas aulas utilizando jogos e brincadeiras é pura "perda de tempo". Todavia é fundamental conscientizar esses professores da importância do brincar. Mas como fazê-lo? O brincar sendo direcionado, seguindo uma linha de aprendizagem para o alcance de objetivos é o caminho. Torna-se importante levar o educador a refletir sobre a sua prática pedagógica no que diz respeito à utilização de jogos e brincadeiras, no decorrer de suas aulas, e também de buscar informações, sobre a prática de ensino de alguns educadores que trabalham com crianças e que conciliam as suas aulas com os jogos e com as brincadeiras. É importante também investigar sobre algumas brincadeiras e jogos que, ainda que pareçam sem importância para os adultos, testam diversas habilidades e conhecimento da criança. Exemplo de episódio verídico: No parque, crianças de 4 anos brincam com areia. Uma delas se aproxima da professora e oferece "o bolo de chocolate" que havia feito com areia: __ Professora, experimenta. Fui eu que fiz. __ Hum! Que delícia! Mas agora me deu sede. Você não quer fazer um suco para mim? __ Tá bom. A criança mistura água com um pouco de areia num copinho de danone. __ Professora, olha o suco. __ Do que é? __ É de laranja. __ Que tipo de laranja? __ Laranja – lima. A criança volta e faz outro bolo, só que agora com enfeites de folha de árvore, e o oferece à professora. __ Você só sabe fazer doce? __ Não. __ Então eu quero um salgado. __ Eu vou preparar um salgadinho doce. A criança volta com várias bolinhas de areia nas mãos. __ Obá! Que salgadinho é esse? __ Bolinha de queijo. A professora fingindo comer o salgadinho oferece-o a outra criança: __ Quer uma, Matheus? __ Eu não!!! __ responde Matheus. __ Ah! Nós come de mentirinha __ diz a primeira criança. (Episódio extraído do relatório de estágio de Juliana Nogueira, aluna do curso de Magistério, 1993) No episódio citado acima percebe-se claramente que, a professora ao passar a fazer parte da brincadeira que surgiu naturalmente de uma aluna, aproveitou a mesma para criar situações de aprendizagem: ao perguntar se a menina só sabia fazer doce, de que fruta era o suco, entre outras. Assim a professora explorou o brincar, enriquecendo-o, possibilitando maior organização e significado. Segundo HAIDT (2000), o jogo é uma atividade física ou mental organizada por um sistema de regras. É uma atividade lúdica, pois se joga pelo simples prazer de realizar esse tipo de atividade. Para o autor, quando se está brincando com um jogo, nós nos preocupamos exclusivamente com o prazer que este nos proporciona, atentamos para as regras e, no final se saíram vencedores ou perdedores. Mas, analisando profundamente esta questão, a participação em jogos contribui e muito para a formação de futuros cidadãos conscientes, como o respeito mútuo, a solidariedade, a cooperação, a sinceridade, a obediência às regras, senso de responsabilidade, entre outros. Sem dúvida, o jogo tem um valor de formação de caráter excitante e também esforço voluntário, pois trabalha a nossa atenção, concentração e conhecimento. Com a criança não é diferente. Tendo como característica universal a brincadeira, a criança, através do brincar e do jogo, faz suas próprias descobertas, testa seus limites, aprende regras básicas de convivência e desenvolve o emocional e o cognitivo. Vimos através do exemplo prático que a criança aprende brincando, pois a brincadeira é algo sem "compromisso" que se realiza naturalmente, sem cobranças. O Lúdico na Formação do Professor A educação no Brasil passou, recentemente, por reformulações por ocasião da promulgação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB/1996), as propostas dos PCN's e a conseqüente divulgação das Diretrizes Curriculares Nacionais. Estes fatos fizeram com que na década de 90 todas as escolas, de norte a sul do Brasil, discutissem o assunto. Muitos professores concordaram com tais diretrizes, outros não. O importante não foram os posicionamentos, mas a possibilidade de debates que se desencadeou e permitiu o repensar pedagógico. Na esteira do debate, a atividade lúdica ganhou relevo e importância como possibilidade de construção do conhecimento. A palavra lúdico se origina do latim "ludus" que significa "brincar". Segundo Luckesi (2000) o que caracteriza o lúdico "é a experiência de plenitude que ele possibilita a quem o vivencia em seus atos" (p. 96). A ludicidade como um estado de inteireza, de estar pleno naquilo que faz com prazer pode estar presente em diferentes situações de nossas vidas. Diante disso aparece uma outra questão: não se pode distinguir formação pessoal da formação profissional. Quando pretendemos compreender a ação docente, temos que considerar, sobretudo, que o processo de formação do professor é um crescente e um contínuo. Portanto, a dimensão lúdica na formação do profissional é parte integrante de todo o processo, que é amplo, complexo e integral. É algo indissociável de auto-formação na relação concreta entre o estudo (técnico), entre a reflexão individual e entre a interação coletiva. Isto dentro de um confronto de idéias e troca de experiências vivenciadas. Há, porém, nessas reflexões, uma dimensão dicotômica; pois o que se percebe no processo de intinerância acadêmica do professor é que ele gira quase sempre em torno de questões epistemológicas e metodológicas, não atentando para o aspecto humano / pessoal, ontológico que também faz parte do desenvolvimento. Este, por sua vez, deve ser o ponto prioritário, pois os sentimentos, assim como as leituras de mundo desse professor vão caracterizar e orientar muito sua prática pedagógica. Analisando agora sobre uma outra ótica temos, segundo Feijó (1992), que o lúdico é uma necessidade básica da personalidade, do corpo e da mente e faz parte das atividades essenciais da dinâmica humana. Portanto, é importante que o professor descubra e trabalhe a dimensão lúdica que existe em sua essência, no seu trajeto cultural, de forma que venha aperfeiçoar a sua prática pedagógica. Analisando agora sobre uma outra ótica temos, segundo Feijó (1992), que o lúdico é uma necessidade básica da personalidade, do corpo e da mente e faz parte das atividades essenciais da dinâmica humana. Portanto, é importante que o professor descubra e trabalhe a dimensão lúdica que existe em sua essência, no seu trajeto cultural, de forma que venha aperfeiçoar a sua prática pedagógica.
No entanto para que isso aconteça é necessário que ele busque resgatar a ludicidade, os momentos lúdicos que com certeza permearam seu caminhar. Nos espaços acadêmicos, os professores geralmente relacionam com pouca intensidade formação profissional e ludicidade, não tendo, por vezes, um embasamento teórico que permita compreender a ludicidade como um fator de desenvolvimento humano. Isso acontece porque a ludicidade ainda não foi compreendida como uma dimensão importante e que deve ser estudada e vivenciada em sua plenitude. Graças a uma provável formação precária dos educadores, as atividades artísticas, assim como as recreativas, só são permitidas pelos professores quando não planejaram nada para ensinar, quando não estão dispostos e em situações de prêmio por bom comportamento e, às vezes, em datas comemorativas. Como afirma Rocha:
Diante desses argumentos apresentados até aqui, vale nesse momento o seguinte questionamento: Por que incluir a dimensão lúdica na formação do professor? Conforme Santos (1997) isso possibilitaria ao educador conhecer-se como pessoa, saber suas possibilidades e limitações, ter visão sobre a importância do jogo e do brinquedo para a vida da criança, jovem e do adulto. O professor não deve adaptar-se à realidade social em que vivemos, e sim assumir o seu papel como ator social capaz de colocar mais cor, mais sabor, mais vida, tanto na sua vivencia, como naquilo que se propõe a fazer. Isso é possível quando ele reconhece o lúdico que o acompanhou durante todo o seu desenvolvimento. A vivência da ludicidade como fazer pedagógico durante o processo de formação do professor instiga o ato criador e recriador, crítico, aguça a sensibilidade, o espírito de liberdade e a alegria de viver. Desse modo a manifestação lúdica estimula o viver de experiências axiológicas, pela geração de novas e relevantes valores (respeito ao outro, lealdade, cooperação, solidariedade) etc. Lamentavelmente a grande maioria das instituições educacionais ainda é pautada numa prática que considera a idéia do conhecimento como repetição, sob uma ótica comportamentalista, tornando o conhecimento cristalizado ou espontaneísta e não como um saber historicamente construído. Por isso é importante uma educação mais abrangente, que faça com que nós professores procuremos outros caminhos para suprir as carências encontradas nessas instituições de ensino de professores. Trazendo o estudo para a realidade das Universidades de Educação houve uma mudança no currículo do Curso de Pedagogia de várias partes de nosso país com o objetivo de aproximá-lo das exigências do mundo do trabalho e da educação contemporâneos. O currículo atual pretende responder aos anseios por mudanças no Curso de Pedagogia, reclamadas desde os anos oitenta, quando professores e alunos desta instituição formularam críticas e propostas alternativas à proposta implantada em 1969. Assim, o novo currículo aumentou o número de disciplinas cujas ementas englobam os elementos para a compreensão dos fundamentos teóricos do lúdico, seu papel no desenvolvimento do ser humano e as implicações para a prática educativa, e consideram a possibilidade de uma educação realmente voltada para a formação nos seus aspectos éticos, cognitivos, afetivos, estéticos, corporais e sociais atentando para a importância do prazer, da alegria nos mais variados espaços e tempos. A dimensão lúdica na formação do professor permite a ele questionar-se quanto a sua postura e conduta em relação ao objetivo prioritário de proporcionar aos alunos um desenvolvimento integral no qual a competência técnica combina com o compromisso político. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
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